Friday, January 20, 2006




Fruta da época
Em altura de eleições – legislativas, autárquicas, presidenciais – além da preocupação óbvia com o destino do país, impera o desinteresse generalizado pela política, o encolher de ombros de um povo que já não acredita…

A classe política não ajuda, os orgãos de comunicação em pouco contribuem para um debate de ideias que não existem. A preocupação está no insólito das campanhas, no confronto pessoal entre candidatos e partidos, cujos programas há muito se esbateram e confundem.

Houve o tempo em que se distinguia perfeitamente a ala esquerda da direita; hoje, em bom rigor, todos vestem Armani, todos frequentam os mesmos cinemas, os mesmos restaurantes, os mesmos bares. Depois há os que se dizem operários, mas já não se lembram bem do que isso é, excepto quando pregam umas estacas, uma vez ao ano, na festa do partido; há os que se dizem professores, não assumindo que são reformados da política que se ocupam a dar aulas; há os que se dizem advogados puxando os galões de uma formação académica desactualizada porque não exercida verdadeiramente na prática; há ainda os outros que estão em todas, porque é preciso estar, ser visto, agitar um bocadinho a malta, porque quem não aparece, esquece.

Contudo, neste contexto, compreendendo a posição que caracteriza o português comum, o que me faz realmente impressão é a elevada abstenção.

Passo, pois, a explicar:

- O não votar, mais do que o não exercício de um dever cívico, é um desrespeito por todos aqueles e aquelas que lutaram durante séculos para que hoje todos pudesse-mos ter direito de voto, independentemente da raça, sexo, condição social;

- O não votar consubstancia uma demissão das responsabilidades, que facilita o uso da frase: «eu nem votei nele, quer dizer, nem nele nem noutro, eu nem sequer votei…»

A luta por este direito com tudo o que ele implica vem desde a Revolução Francesa, luta que ainda continua em países onde vigoram regimes não democráticos e onde se desprezam os Direitos Humanos.


Relembro a luta das Sufragistas pelo sufrágio universal, mulheres que lutaram por um direito que cabia, e cabe, a mulheres e homens.

Visando o direito ao voto, os movimentos sufragistas reclamaram para a mulher um novo papel na sociedade. Foi o início de um longo percurso que estendeu às mulheres uma igualdade de direitos em relação ao homem, não só no que respeita à família, educação e trabalho, mas também ao nível do vestuário, sexualidade e costumes.


Entre 1914 e 1945, o sufrágio feminino foi adoptado por 33 países.

Em 1952, a Assembleia-geral da ONU aprovou a Convenção sobre os Direitos Políticos da Mulher, segundo o qual "as mulheres devem ser capacitadas a votar em todas as eleições em termos de igualdade com os homens, sem qualquer discriminação."



Votar é um direito-dever: é influenciar o destino do país participando na vida pública e honrar quem lutou, sofreu, morreu, por um sistema democrático, por uma sociedade mais justa e igualitária.


Sugestão: Filme de 2004 sobre as sufragistas americanas, de título original Iron Jawed Angels com tradução para português Anjos Rebeldes, com Hilary Swank Anjelica Huston Frances O'Connor e Julia Ormond .

No Século XIX, Estados Unidos. Duas mulheres arriscam suas vidas pelo direito de votar. Juntas desafiam as forças conservadoras de seu país para a aprovação de uma emenda constitucional que mudará seu futuro e o de muitas outras. Produção original HBO nomeada para Emmy´s e que valeu a Anjelica Huston o Globo de Ouro de Melhor Actriz Secundária em Mini-série ou Filme Feito para TV.



20 comments:

Adão Louco said...

Sou pelo voto das mulheres! Sou pelas mulheres! Sou por tudo o que tu fores! Aaaaaaaaah, que te encontrei, finalmente, Eva!

wind said...

Votar é um dever de cidadão. Há os que se acomodam, não votam e depois dizem mal. Assim perdem a razão. Só se pode dizer mal, depois de agir, ou agindo. beijos e bom voto:)

Rosa said...

Estou contigo... Voto muitas vezes em branco, mas vou sempre às urnas.

moonj_Rita said...

Ainda bem que não sou do tempo em que as mulheres eram suprimidas das decisões governamentais, sociais e afins. Não seria capaz de me adaptar ao sitema.

Esplanando said...

O voto é a arma do povo!
Povo!!! Se votas ficas desarmado!

Agora a sério...

Eu acredito no sistema Uma pessoa. Um voto.
A pessoa sou eu... e eu sou do contra!!! :-D

Agora mesmo a sério...

Voto sempre. E, infelizmente, muitas vezes em branco.
Recuso-me a votar no menos mau!

Armando S. Sousa said...

Ando a adiar sucessivamente um post sobre a líder das sufragistas, a senhora Emmeline Goulder Pankhurst,Vou ver se coloco um post it para não me esquecer deste assunto.
Eu exerço sempre o meu direito e dever cívico que é votar, pois gosto de contestar mas porque não votei no Governo ou no Presidente, e não porque me abstive.
Um abraço e bom fim de semana.

Eva Shanti said...

Adão (louco),

Vem que estás aperdoado!

Wind,
Rosa,
Moonj_Rita,
Esplanar,

Domingo, bora lá todos votar!

Armando,

Que venha esse post. Costuma-se falar muito dos movimentos sufragistas, do início do feminismo, só e apenas por causa do dia da Mulher.

Eu cá não gosto de dias disto nem dias daquilo. Acho que se deve lembrar sempre de quem lutou por um ideal, sofreu para que outros tivessem acesso a coisas que hoje em dia não damos o devido valor.

Isto é válido para muitos homens e mulheres que marcaram a históra, como Rosa Parks, Martin Luther King, Gandi, etc....

Bjs

xá-das-5 said...

Eu sou então o contra-maré.
A nossa classe política é aberrante. Tal como o país, é mediocre. Tal como os portugueses, é saloia (e não estou a falar geograficamente).
Não merece nada, nem um voto.

Embora eu costume votar (só não o fiz por uma ou duas vezes), desta vez vejo-me obrigado a saír para votar no mal menor.
É pena, mas é a única hipótese que tenho.
Já tenho idade suficiente para saber muita coisa sobre alguns candidatos.

Estamos num país que a 48 horas de uma votação (diz-se secreta) temos um canal de noticías dedicado a cilindrar uma pessoa que é apenas parva e arrogante.

Estamos num país que sofre aumentos radicais e o povo não faz nada.

Bom, to cut a long story short, Portugal e os portugueses não merecem ter acesso a exprimir opinião. Vão fazê-lo por causa de um poster, autocolante, beijinho, porta a porta, ou... atenção... promessa.

Se fossemos ser pensantes, normais, interessados, respeitadores e educados, teríamos uma bela hipótese de mostrar o que nos vai na alma. Era, pura e simplesmente, não votar. Mas ninguém votava!
Seria, talvez, um princípio de qualquer coisa.

Agora assim...


PS: isto não tem nada a ver com o teu post, muito informativo e, infelizmente, ainda actual.

Meia Lua said...

A única coisa que tenho pena é que cada dia é mais difícil escolher um candidato... qual deles o pior? :(
E depois... entra um ou outro e o resultado é o mesmo...!!!
Só vale mesmo a pena votar por todos os que lutaram por este direito.
beijinho

Su said...

eva eu estou nesse do não votar, e concordo contigo

gostei do texto

jocas maradas

Vespinha said...

Concordo plenamente!

É um desrespeito não votar, uma afronta para quem lutou pela liberdade!

E o que mais me irrita são os que ainda por cima se vangloriam de não votar!São uns ignorantes!!

Bj da Vespinha

pachita said...

Sempre votei e semprei hei-de votar.

Belo post! :)

Beijinhos e bom fim-de-semana :)

Tita - Uma mulher, Um blog, algumas palavras said...

Muito pertinente teres levantado esta questão do voto das mulheres, numa altura em que as eleições se aproximam e as estatisticas revelam números de abstenção assustadores.
Quem sabe, através deste post, conseguiste sensibilizar para o voto...sobretudo às mulheres.
Gostei!

Caracolinha said...

Minha linda ... os teus posts deviam ser transformados em cartazes e espalhados pelas cidades !!!!

Nem imaginas como os adoro e os acho plenos de sentido ... e as imagens que escolhes ?? são divinais ... e tens uma forma muito tua de abordar cada temática.

Esta questão da conquista do direito de voto é demasiado importante para que não se leve a sério ... é sempre triste olhar à volta e ver que muitos deitam fora as oportunidades que custaram muito a ser conquistadas por outros... hoje estamos na era dos facilitismos e custa-me pensar que palavras como "liberdade" sejam tão pouco valorizadas por muitos que não souberam aquilo que foi preciso passar para a terem nos dias de hoje.

Sou mulher. Participo activamente. Voto. Sempre. É um direito que me foi concedido`. É um dever. Eu cumpro-o.

Daqui a um nico lá estarei.

És uma pessoa linda, deixas transparacer uma inteligência emocional que não pode ser indiferente a ninguém que, como eu, visita o teu espaço.

Apesar do tempo não ter sido muito ultimamente, sabes que venho sempre visitar-te quando por aqui estou não é ???? ;)

Beijoca encaracolada em amizade e admiração :)

Eva Shanti said...

Querida Caracolinha,

Mais uma vez, obrigada pela tua visita, pelo teu incentivo e pelo teu apoio a este cantinho.

Os meus posts em cartazes, vai ser difícil, pois a malta ia queixar-se da letra miudinha!

Vá lá que nem tem havido reclamações sobre o tamanho dos posts. Até pelo contrário, parece que há quem goste...

Qualquer dia a blogoesfera atribui-me o prémio de Blogs com os posts mais compridos eheheheheh!

Quanto aos textos e às imagens, isso realmente é mesmo muito meu, o facto de querer que tudo faça sentido e que seja desta e não daquela maneira.

Além disso, assim como escrevo também falo, quero dizer, que na vida real, física, não sou muito diferente daquilo que se vê virtualmente.

Tu, minha querida, não me conheces pessoalmente, mas um dia que isso aconteça, acho que vais constatar que sou assim, e quem não gosta, aguente-se!

Não somos todos iguais, e muito menos obrigados a gostar das mesmas coisas.

Também vou calmamente preparar-me para exercer o dever cívico.

Voto sempre, mas é mais tarde...

Entretanto, após fecho das urnas, haverá novo post.

Para mim, já não é tão novo assim, mas eu depois explico, tá?

Bjs grandes

Eva Shanti said...

A todos,

Desejo que exerçam um direito que é também um dever.

Que incentivem os familiares e os amigos a fazê-lo também.

Quanto ao resto, já dizia o outro, «prognósticos só no fim do jogo».

Não tenho visto sondagens exactamente porque valem o que vales, e eu quero ver é o que vai ser a realidade, não as previsões.

Bjs

adesenhar said...

pouco mais há a dizer :)

mas é incrivel como ainda existem países onde a mulher não tem direito a voto!
:)

Do Choupal até à Lapa...! said...

Parece q este meu comentário será o 1º após já se saber (ou quase) q vamos ter q levar com o Cavaco... Pois concordo c algumas coisas q aqui foram ditas, c outras não... o q é bom nisto tudo é haver assim diferentes ideias, opiniões, e isso devemos a Abril. Isto nunca deveremos esquecer mesmo, muitos de nós ainda não existirmos na altura ou, de tão pequenos, não nos lembrarmos.
Deixem dizer-vos tb o q penso do voto em branco… q que é q isso nos leva? A nada… e, embora seja ficção, quem leu o livro de Saramago onde todos decidiram votar em branco, constata q o voto branco não nos traz nada de novo, não nos traz a opção de mudança. Claro que podem sempre dizer que não há um e que não querem votar no “menos mau”. Mas será que não vale mais votar num “menos mau” do que, pelo nosso ignorar dos votos, dar-mos indirectamente a vitória a um “muito mau”?
Quanto aos candidatos, todos têm algo para lhes apontar o dedo, mas mais uns do que outros. Há pelo menos 2 que já mostraram ao país o que conseguem fazer e em que estado são capazes de o deixar. Sobram 4. Porque não apostar nesses, dar-lhes uma oportunidade? Alguns deles até já participaram na luta para obtermos esta nossa actual liberdade. É pena, mas... o povo é quem mais ordena.

Eva Shanti said...

Choupal,

Obrigada pelo teu comentário.

Até posso concordar que o voto em branco não é a melhor opção, na minha opinião.

Até posso achar, nesta eleião em concreto, que todos os candidatos eram maus, todos têm «telhados de vidros», a escolha estava limitada entre o pior e o menos mau.

Para mim, o que cada um faz com o seu voto é do seu foro. Respeito quem vota, seja de que maneira o expressa. Agora condeno que nem sequer se dá ao trabalho de se dirigir às urnas, aí, mais do que não concordar, tenho que me insurgir.

Quis deixar claro neste post que o que penso é válido para todas as eleições, embora algumas palavras visassem os candidatos a PR.

Só isso.

Bjs

As Musas said...

Eu voto desde que tenho direito a isso, nunca falhei uma vez,vou logo pela manhã para não haver desculpas. Votar é um dever cívico.