Saturday, November 12, 2005



Tudo sobre Shere Hite

Shirley Diana Gregory, mais conhecida por Shere Hite (apelido que foi buscar ao padrasto Raymond Hite), nasceu a 2 de Novembro de 1942 em St. Joseph, Missouri. Foi criada pelos avós, uma vez os pais se separaram quando Shere tinha apenas 3 anos. Até aos 14 anos sonhou com uma carreira na música como compositora, mas, por influência do seu avô, prosseguiu os seus estudos interessou-se por História. Esteve na Universidade da Florida onde se formou. Mais tarde, mudou-se para a Big Apple por causa do doutoramento em História do Pensamento Ocidental na prestigiada Universidade Columbia, enquanto trabalhava como modelo, chegando a posar nua para a Revista Playboy.

A necessidade de lutar pela valorização da mulher surgiu após Hite ter sido escolhida num casting para um anúncio de televisão onde era suposto passar por secretária que dactilografava com rapidez. Alheia ao slogan que viria a acompanhar as imagens, Shere ficou chocada quando se deu conta que era algo do género: «tão bonita que nem precisava saber dactilografar…».
Entre 1972 e 1978, Shere Hite foi a Directora do projecto feminista de sexualidade da National Organization for Women (NOW). Desengane-se quem tem a ideia preconcebida de que uma feminista não é feminina, que não passa de uma mulher revoltada com o seu próprio sexo, uma mulher que na realidade sempre sonhou ser homem e que procura a todo o custo disfarçar as suas formas. Shere Hite é uma feminista assumida, que há mais 25 anos luta pelos direitos das mulheres e mais parece uma barbie, muito alta, muito loura e sempre com roupa justa e coleante a demarcar-lhe o corpo. Consciente da sua feminilidade, Hite sustenta que a «a roupa feminina é um sinal de superioridade da mulher».

«Relatório Hite sobre a Sexualidade Feminina» – a primeira pesquisa realizada por uma mulher sobre mulheres - é o resultado de uma série de inquéritos com garantia de anonimato das entrevistadas que envolve uma nova teorização do orgasmo feminino - tema que justifica um post especial...

Publicado pela primeira vez nos EUA em 1976, o impacto foi tal que o Relatório Hite é considerado um dos 100 livros fundamentais do século XX. A obra é editada em Portugal em 1978 e, recentemente, chegou à China, onde os manuais de Educação Sexual contêm transcrições e reproduções parciais sem autorização da autora!

Segue-se em 1981, «The Hite Report on Male Sexuality» com base em mais de 7.000 inquéritos a homens, entre os 13 e os 97 anos de idade, sobre seus medos, segredos, práticas e preferências sexuais.

«As Mulheres e o Amor: uma Revolução Cultural em Progresso» data de 1987 e contém mais uma conclusão que abala o mundo:
70% das mulheres casadas são infiéis!

Duras críticas insurgiram-se contra Hite por vários sectores da sociedade, incluindo grupos feministas, reclamando que o trabalho da investigadora é polarizado por aspectos da realidade social dos EUA. Hite foi acusada de não ter base científica para as suas afirmações, que o número de questionários analisados é pouco expressivo (4.500!), do seu trabalho ser considerado pouco sério e que as suas conclusões pecam pela falta de fundamentação.

As editoras americanas recusavam-se a publicar os trabalhos de Hite e comunicação social era impiedosa com a investigadora. Sendo a favor do aborto, Hite foi ameaçada de morte no seu país natal por grupos pró-vida. Em 1996, renuncia à nacionalidade americana e adopta a alemã, passando a viver em Colónia com os seu marido desde 1985 Friedrich Horick, pianista, (a título de curiosidade, 20 anos mais novo que Hite), mantendo casas em Londres e Paris, dada a sua activa vida profissional.
Obras:

Sexual Honesty, by Women, For Women (1974);
The Hite Report on Female Sexuality (1976);
The Hite Report on Men and Male Sexuality (1981) ;
Women and Love: A Cultural Revolution in Progress (The Hite Report on Love, Passion, and Emotional Violence) (1987);
Fliegen mit Jupiter (1993) -Romance;
Women As Revolutionary Agents of Change: The Hite Reports and Beyond (1994);
Hite Report on Shere Hite: Voice of a Daughter in Exile (2002) – Autobiografia;
Ethics of Sexuality in Business and Workplace (2003);
The Shere Hite Reader : Sex, Globalization, and Private Life (2003
).


11 comments:

Isabel Magalhães said...

Já tinha comentado no post anterior mas tb poderia tê-lo feito aqui!

pachita said...

Bravo!
Adorei o post sobre a Shere Hite!
Só li o Relatório Hite sobre a Sexualidade Feminina mas vou ver se encontro os outros livros.

E adorei a citação dela: 'a roupa feminina é um sinal de superioridade da mulher'. Concordo totalmente.

Ah, e gostei de saber que ela nasceu em Novembro.

Beijinhos

PS - Como vi que o blog começou há pouco tempo, dou-te os parabéns e escreve mais. :)
PPS - Gostei muito do quadro do Bosch, um dos meus pintores favoritos.

Isabel-F. said...

Gostei deste teu Post...

li o Relatório Hite aí com os meus 15/16 anos... e adorei...

desejo-te uma boa semana

bjs

Mocho Falante said...

Ora pois, os imaculados americanos muito incomodados por que lhe mancharam a dignidade.

De facto o maior inimigo das mulheres são as próprias mulheres, veja-se o que fizeram quando Shere Hite expos as suas pesqueisas...

Eva Shanti said...

Estou a ver que as «Evas» estão em força a dar a sua opinião! Gostava de saber onde andam os «Adões»...

Bjs

Buddha Breezer said...

Aqui está um Adão a dar o seu contributo.

De facto Shere Hite é um marco na história da luta das mulheres...nem sempre bem sucedida mas não deixa de ter o seu valor por isso

Ahraht said...

Antes de mais obrigado por "passares".

A sexualidade feminina, pois? Pode parecer machista (e se calhar até é)mas acho que a busca de um qualquer estado de superioridade feminina acaba por se tornar ridículo, até mesmo a busca da igualdade me parece uma coisa semsaborona. Digamos que as diferenças ressaltam à vista. Prefiro pensar as mulheres como seres diferentes, com direito a essa diferença, livres nessa diferença, nunca como seres quase assexuados em busca de igualdades que mais se assemelham a parecenças. As mulheres devem ser mulheres, lindas que até nem precisam de dactilografar (só se quiserem).

marakoka said...

gostei de ler o teu post sobre shere hite, sempre controversa, mas sempre válida

jocas maradas

adesenhar said...

«tão bonita que nem precisava saber dactilografar…»
Em publicidade era uma imagem que passavam da mulher...

em 2006 a frase com uma ligeira alteração, ainda se mantém actualizada.
«tão bonita que nem precisava saber falar…»
Basta ligar a TV, ver um noticiário ou uma entrevista de rua e os exemplos são muitos.

PS. a frase também se aplica aos homens.
:)

redcat said...

Sabes qual foi a editora que publicou este livro em Portugal?

Obrigada

Eva Shanti said...

Red Cat,

Tirando a a DIVINA COMEDIA DE ARIADNE E JUPITER, que foi publicada pela Difel, e o mais recente SEXO & NEGÓCIOS pela Vida Económica, todos os livros de Hite publicados em Portugal são da Bertrand/Bertrand Brasil.

Não é muito fácil encontrá-los, só por encomenda. Também há publicações em Espanhol.

Obrigada pela visita!

Bjs