Wednesday, November 23, 2005


Realidade positiva de muitas mulheres que conseguiram seguir em frente

«Lembro-me agora de tudo o que vivi e parece-me que aconteceu a outra pessoa. Desde que o conheci que era ele quem impunha as condições: pensava que as mulheres eram todas perversas, e dizia-me que eu tinha de lhe provar que era uma excepção. Deixou-me sem dinheiro, sem amigos, sem família. Fez-me acreditar que era feia e gorda, que tinha o peito caído até ao chão, que a minha conversa era estúpida. Eu tinha a ideia errada de que ele era uma pessoa que tinha sofrido muito e pensava que se lhe provasse que o amava de verdade, ele passaria a ser aquela pessoa maravilhosa que, por vezes, se me tinha dado a conhecer.

Mas não, agora sei que ele era um psicopata possessivo: controlava a minha vida toda! Um dia, estava em de cama, com gripe, entrou em casa com uma rapariga e disse-me que iam fazer um trabalho no computador. Foi a última humilhação. Algo mudou em mim e, no dia seguinte, ainda com febre, levantei-me e deixei-lhe um bilhete: «Obrigada por me teres ensinado onde fica o inferno, mas podes arder lá sozinho!»

Fui para casa de uma amiga e ele assediou-me durante 6 meses. Foram meses de agonia, pois havia uma parte de mim que ainda gostava dele, de forma doentia, mas depois tudo passou. A minha raiva libertou-me e aprendi muito com aquela relação. Não tenho medo dos homens, mas aprendi que a vida pode ser desfrutada de forma plena; agora sei a quem dedico o meu tempo e os meus sentimentos. Estou feliz»

Adaptado de um testemunho real de uma mulher que deixou um marido extremamente destrutivo, apesar de não ser violento fisicamente («só» lhe bateu uma vez) descrito em «Amores que matam, assédio e violência contra as mulheres», de Vicente Garrido, psicólogo criminalista, professor na Universidade de Valência.
Imagem do Google: anúncio CK em Houston

15 comments:

Tita - Uma mulher, Um blog, algumas palavras said...

Ena! Até tremi!Que violência!
Infelizmente conheço casos assim...acredito que são mais dificeis de superar do que violência fisica, pelo menos deixam marcas bem maai profundas e tão dificeis de fecharem.
Eva, o teu blog está a tornar-se um serviço de utilidade pública. Parabéns e obrigada pelos alertas que fazes.

Mocho Falante said...

De facto a violência psicológica por vezes é bem mais violenta que uns pares de nódoas negras.

Felizmente cada vez mais se fala da violência doméstica, trazendo à tona a vergonha que vivia entre 4 paredes

beijocas

Eva Shanti said...

Desde já, agradeço a Vossa atenção e as Vossas palavras.

Fico realizada se, com este modesto contributo, elevar a auto-estima das mulheres e chamar a atenção para alguns problemas que, de facto existem, mas durante muito tempo foram ignorados ou remetidos para um plano secundário.

Não é um espaço para mulheres, mas um espaço destinado a todos, ainda que sobre realidades femininas.

Como disse no ínicio, quero que esta Eva encontre o seu lugar na blogoesfera e que seja sempre provocadora, divertida, determinada, sempre independente e corajosa, digna do ícon do Universo feminino.

Com a Vossa ajuda, estou certa de que o irei conseguir.

Bjs

Isabel-F. said...

Gostei de ler;

Tenho um livro que se chama "Mulheres que Amam Demais", que retrata muitas situações destas; tb ele escrito por uma psicóloga.

Bjs

Eva Shanti said...

Obrigada pela dica, Isabel.

Conheço, é da Dra. Elza Pais, investigadora, técnica do Instituto de Reinserção Social (IRS) e responsável pelo Grupo de Missão contra a Violência Doméstica.

Haverá oportunidade para um post um dia destes...

Bjs

Armando S. Sousa said...

Eu, apesar de estar a escrever sem rosto e poder dizer muitas palavras bonitas e ter outros actos, sou frontalmente contra contra toda a violência que se possa ter para com a mulher.
Tive um caso há uns anos atrás com um vizinho que ia chegando a vias de facto com esse indivíduo.
Ele espancou a mulher e eu tive que ouvir tudo no meu apartamento, nesta altura vivia num apartamento.
Fui ao apartamento dele e só não foi mais longe porque o cobarde não saiu para o hall de entrada. Avisei-o que era a última vez que tolerava ouvir aquilo ou chamava a polícia. Enquanto vivi lá nunca, que eu saiba, voltou a acontecer.
É que estes cobardolas só são muito fortes com as mulheres.
Um abraço.
Vi que linkaste a minha Fábrica.
Obrigado.

Su said...

seja de q tipo for violencia, é sempre violencia..coisa horrivel, mas infelizmente existe tanta gente vivendo essas vidas ...sem a coragem ou oportunidade do tal «Obrigada por me teres ensinado onde fica o inferno, mas podes arder lá sozinho!»

jocas maradas

Paulo Nabais said...

hmmm, lembrar o Principezinho,... Isto diz-me muita coisa.
Post que puseste em "As Musas".

Jinhos.

maggy said...

Sem dúvida um blog de utilidade pública, parabéns!

Estou certa que se presistires com a mesma determinação vais atingir o teu objectivo ;)

Bj

As Musas said...

O triste disto tudo, é que ela não é a única, a mulher ainda é vista como um objecto que ali está para servir o homem... isso é muito triste e ainda mais triste ver as mulheres a acreditar que é verdade.
Parabéns (ainda vejo rosa, mas consigo ler ih ih ih)pelo teu blog, cada vez gosto mais.

Isabel-F. said...

Oi Eva...

Bom dia.

Não deixes de ir ver o meu Post de hoje, pois é sobre o dia da Eliminação da Violência c/a Mulher.

Bjs

Rosa said...

Glup... P*** de vida...

sentimentosprofundos said...

Oi Eva! Inflizmente existem muitos casos deses, tenho pena que isso aconteça! mas orgulho me das mulheres que conseguem superar tudo isto e continuar com a sua vida! é preciso ter muita coragem!


beijinhos

Vespinha said...

Nunca é demais chamar a atenção para esta temática.
A violência psicologica é bem mais violenta que a fisica...

Bj da Vespinha

Arawn S said...

.. Eva .. linda foto .. sim senhor!