Sunday, November 20, 2005


A Cabra e o Príncipe

«Já lhe aconteceu querer dar a alguém uma parte do seu eu e em vez disso acabar a comer uma fatia de bolo? Ou talvez o bolo todo?»

Descubram como uma pequena frase pode mudar a vossa vida e tornar-vos mais felizes!

Recentemente, uma amiga lembrou-me de uma «obra fundamental» que condensa e transcreve uma certa sabedoria popular, algo que todos nós sabemos, porque está dentro de nós. Por vezes, esquecemo-mo-nos de nós próprios, de tanto queremos agradar aos outros. E quem não gosta de afecto, de ter amigos, de ser amado?

Passei por uma fase em que estava a deixar para segundo plano o meu Eu, aquilo que gosto, aquilo que quero, aquilo que acho que todo o ser humano merece – respeito.

Quanto mais gosto de alguém, mais me custa dizer «Não». O «Não» não é necessariamente uma resposta negativa, mas sim aquilo que devemos dizer mais vezes, para nosso bem e bem dos outros. Estava tão preocupada em agradar ao outro, que vivia à volta dele em bicos dos pés, medindo cada palavra com medo de ser mal interpretada ou de ser acusada de falta de compreensão. E acabava por dizer «Sim» às coisas mais disparatadas ou a comportar-me em diversas situações de modo totalmente inverso àquele que faria se estivesse a pensar de forma racional e coerente com o que defendo e proclamo.

Deixei de estar sintonizada com a cabra que há em mim. Sim, é isso mesmo, a cabra que há em mim, a cabra secreta que existe em todas as mulheres e o príncipe secreto que existe em todo os homens. A cabra e o príncipe existem, podem é estar adormecidos, a precisar de serem despertados ou reavivados.

Passo, então, a explicar... Começo pelo conceito de toximpatia, ou seja, quando somos «simpaticozinhos», porque perdemos o nosso poder de afirmação, a assertividade, a coragem para dizermos aquilo que realmente pensamos porque não queremos magoar o outro ou porque «pode parecer mal» Isto chega ao ponto da simpatia se tornar tóxica!

Exemplo: Imaginem que estão cheios de trabalho, que a vossa secretária transborda de tanto papel por despachar, mas há sempre aquele colega que vos interrompe constantemente e vos pede isto, aquilo e o outro. Em vez de dizermos educadamente que naquele momento não é possível, que ele (ou ela) tem de se habituar a resolver as coisas sozinho, a usar os recursos que tem disponíveis (a intranet, a Internet, o 118, sei lá que mais – até porque vocês também o fazem), que não podemos passar a vida a fazer favores por tudo e por nada, enfim, acho que já compreenderam o que quero dizer. Pois é, mas ele (ou ela) até é um(a) giraço (a), é tão simpático (a), e «temos que ser uns para os outros», não importa o impacto que isso depois possa ter na nossa actividade. Verdade? Claro que não.

Há, pois, uma frase que nos pode ajudar a lidar com esta e todas as outras situações em que temos de pensar em nós, sob pena de nos estarmos a anular a nós próprios e a deixar que os outros interfiram irremediavelmente na nossa vida com consequências que estão à vista: «Não me parece!» Experimentem!

São 10 da noite, o telefone toca e do outro lado ouve-se: «Podes fazer 12 dúzias daqueles teus biscoitos fantásticos, daquela receita maravilhosa da tua avó (segredo de família) para a festa de amanhã?» - É só aquela amiga, que ficou de organizar um lanche surpresa para o aniversário de um outro amigo, coisa que está a ser planeada há 3 semanas e agora é que se lembra… De frisar que com ela é sempre a mesma coisa, cada vez que há algo para organiza, é a primeira a oferecer-se, mas ninguém tem coragem de lhe dizer que a organização não é o seu forte…

Dá para ficares com os cães durante as próximas 2 semanas? - a última vez que isso aconteceu, as 2 semanas foram, na verdade, 2 meses que o primo, o amigo, whatever, esteve desaparecido e incomunicável na Índia (no Vietname, no Nepal ou no Cambodja) e, imaginem, quem é que teve de alimentar os cães, passeá-los e etc. durante todo esse tempo?

«Podemos aumentar-lhe o seu trabalho sem o aumentar nem promover? É que, como sabe, a empresa anda em contenção de custos, estamos num pico de trabalho e você é um óptimo profissional, contamos consigo…»

Não me parece!


Digam «não me parece» de uma forma doce, cordial e até simpática. Simpatia não é o mesmo que submissão. Ser simpático é completamente diferente de ser «simpaticozinho». Podem treinar em casa! Se for necessário, acrescentem algo mais ao «não me parece», mas não se estiquem, pois a justificação em demasia é contraproducente, porque cai na desculpa atrás de desculpa, na lamechice atrás de lamechice e aí só nos enterramos em vez de sairmos de cabeça erguida.

A isto se chama estar sintonizado com a Cabra que Há em nós!

Lilith, que esteve para ser a primeira mulher de Adão, olhou para ele e disse: «não me parece». E lá foi ela acasalar para as margens do mar Vermelho, dando à luz a centenas de crianças – algum desse ADN está dentro de nós!

Um pequeno grande livro dedicado a todas as mulheres, mas cujo conteúdo é extensível a todos os seres humanos independentemente do sexo com que nasceram. Aconselho vivamente! Quem não conhece vai ver que não se vai arrepender de seguir este conselho!
Livros: «Descubra a Cabra Secreta que Há em Si» e «Guia da Cabra Secreta» de Elizabet Hilts, Editora Bizâncio

13 comments:

Su said...

li o primeiro e adorei
pelos vistos irei ler o segundo
obgda pela dica
jocas maradas

Eva Shanti said...

Olá Su! Prefiro o «amarelo» ao «vermelho», mas não deixa de ser uma leitura leve e interessante. A verdade é muitas das verdades se dizem em tom de brincadeira e essa é uma execlente forma de o fazer!

Bjs

Maria said...

Não li nenhum, mas de facto deve ser bom para ler, porque as vezes só apetece deitar para fora o que cá vai dentro.
beijos

Mocho Falante said...

Minha amiga, no me percurso profissional o que não me faltou foi conhecer cabras... uma delas então era de bradar a Adão....

Deus me livre antes a morte que tal sorte....

beijocas

Eva Shanti said...

Mocho,

Aqui não se entende «cabra» em sentido pejorativo. Utiliza-se este termo porque as mulheres que ousam dizer o que pensam e pensar o que dizem são logo rotuladas de cabras e, se assim é, vivemos bem com isso!

Bjs

Milan said...

:))

Anonymous said...

Deve ser um livro bom para ler-mos de vez em quando e mantermos um nível médio de "sacanagem". :-)

Bjs,
Mário

Tita - Uma mulher, Um blog, algumas palavras said...

Adorei o texto...fez-me bem...estava a precisar de o ler para acordar....Para ter esse encontro com a "cabra que há em nós". Obrigada
Beijos

Ahraht said...

Sendo assim... Vou entrar em sintonia.
Com a cabra que hé em mim...

Sobre o teu comment ao meu post: na verdade não é sobre nós, mas sobre Deus. Depois tens razão. Vive-se na ilusão (ne pretensão) de correr atrás do conhecimento. Consegues conhecer tudo?

Adorei o "não me parece" que vá ter mais trabalho sem aumento nem promoção...

Beijo

Buddha Breezer said...

às vezes é preciso saber não,até porque a felicidade não está totalmente concentrada no SIM

Bem Haja

maggy said...

E viva a "cabra" que há em todas nós! Deixai-a sair de vez em quando, com inteligência e sentido de humor, e verão que o mundo tornar-se-á um pouco mais fácil de ser vivido.

Não li nenhum destes dois títulos, mas li umas passagens de um que me ajudou a acordar a "cabra" que há em mim e expulsar de vez a tótó que teimava em andar cá por casa - "When I say no, I feel guilty" (Manuel J. Smith).

Sejam Felizes!

pachita said...

Eva:

A propósito deste tema, experimenta ler o livro "As boas raparigas vão para o céu, as más vão para todo o lado". É da Ute Ehrhardt e foi publicado pela Editorial Presença. Vale a pena! :)

Beijinhos

Eva Shanti said...

Obrigada Pachita!

O livro não conheço, só conheço a frase. Aliás, tenho uma t-shirt que diz: «Good girls go to Heaven, bad girls to Amsterdam».

Já está na lista dos livros para este Natal!

Bjs