Monday, May 15, 2006

BUSCF013

Experiências virtuais à lupa


A Internet, nas suas várias vertentes, é uma ferramenta que podemos usar no trabalho, no estudo ou para fins lúdicos e recreativos. A Internet não é mais do que tecnologia posta ao serviço das relações humanas.

Porque manuseada por pessoas e para pessoas, a Internet tornou-se num meio de estabelecimento de relações. A Internet pode ajudar-nos numa triagem, ou seja, servir para chegarmos à conclusão de que já vimos o suficiente de determinada pessoa para sabermos o lugar que lhe queremos dar ou não na nossa vida.

A Internet aproxima-nos dos outros e favorece a ubiquidade É também um meio privilegiado para cimentar amizades e relações com quem já conhecemos pessoalmente, pois a distância e as agendas preenchidas dificultam os encontros físicos.

A Internet é um mundo de armadilhas?

A Internet tem um alcance ad infinitum e um grau de exposição que é difícil de controlar. Podemos facilmente, no calor de um momento ou por inexperiência, não ter essa noção e cometer erros.

É muito mais fácil escrever...transbordamos todos os sentimentos, quase sem pudor. Consegue-se escrever, o que muitas vezes não se consegue dizer.

Consequências? Como em todo o lado, há pessoas bem e pessoas mal intencionadas e nem tudo é o que parece. Estamos sujeitos a enganarmo-nos tal como acontece quando conhecemos alguém numa festa, num restaurante, num bar, numa exposição, num consultório, numa repartição de finanças, num incidente que nos faz tropeçar e olhar mais atentamente para o outro e querer aprofundar esse conhecimento. O facto de alguém nos ser apresentado por amigos comuns, de ter uma cara de anjo ou de se encontrar num determinado local não é garantia de nada.

A forma não nos impede de ter correr riscos nem amortece as quedas. Os limites somos nós que os traçamos e os riscos corremo-los porque queremos. Se alguém domina habilmente o uso das palavras e com elas encanta e seduz o que vem a seguir é apenas aquilo que nós quisermos que seja. Não é só na Internet que as pessoas mostram o que querem e a leitura do outro requer sempre habilidade e nunca está isenta de enganos

Gostamos do que lemos ou da pessoa que escreve?

Gostamos do que lemos. Gostamos de ideias, de opiniões, de determinada visão do mundo. Podemos começar a simpatizar com a personalidade de uma pessoa se vai revelando através da escrita, mas isso implica um contacto mais pessoal via e-mail, Messenger ou troca de comentários. Essa empatia não surge dos posts ou artigos publicados, mas de outro tipo de contactos.


Criar expectativas faz parte do ser humano. Decalcar a personalidade de alguém pela sua imagem ou pelas suas palavras também. Fazemo-lo constantemente, quase sem dar conta. Somos emissores de mil e uma mensagens, mesmo sem abrir a boca, assim como estamos sempre de radar ligado a captar o que se passa à nossa volta. Podemos estar a tomar um café rápido, mas não deixamos de olhar para a pessoa que está ao nosso lado e, num ápice, tirarmos-lhe um RX - o que veste, o que calça, a aliança na mão esquerda, as chaves do carro na mão direita - fazemos o filme da sua vida.

Quando conhecemos alguém, o desafio está em adequar a ideia que fizemos nos primeiros 5 segundos à realidade, separar a verdade da ilusão.


“Aceito o que vem de bom e descarto o que não vale a pena” – uma máxima que revela sabedoria e a seguir, sem restrições, em todos os campos da vida
.

20 comments:

Eva Shanti said...

Aqui está um texto com depoimentos muito interessantes:

http://ummundoazul.blogspot.com/2006/03/amizade-virtual.html

Bjs

ordePadamaR said...

Afinal ainda havia mais a dizer..

mas nada que não estivesse implícito no texto anterior. O comentário da Desconhecida deixava antever isso mesmo.

Aqui e no mundo azul, está mais centrado na questão da confiança que se dá ou se está preparado para dar, ao desconhecido/a, a reserva de privacidade e anonimato. Depende do que estamos dispostos a arriscar ou expôr, ou do grau de confiança que temos nos outros e em nós próprios. Riscos desnecessários ninguém corre (não deve correr). Em nada diferente do comportamento extra-net, portanto.

Acabamos por nos expôr sempre.. como o faz também quem diz um poema..a emoção com que o faz ou que desperta, acaba por ser tão importante como o conteúdo. Essa nudez revela a capacidade de sentir..ou então de representar.

Diria que ninguém engana ninguém por muito tempo, embora aqui no meio "virtual" (o que aqui existe, é também uma realidade) seja mais difícil tirar a prova - concordo com o mundo azul.

Certa vez falava com uma brasileira de Manaus..dizia ela, a respeito da minha pergunta (se não receava os perigos da selva, animais ferozes e perigos relacionados..) que o que lhe metia medo eram as pessoas...

Parrot said...

Querida Eva,

Mas afinal está ou não desassociado aquilo que escrevemos daquilo que somos?
Tu me dirás.
No meu caso, apesar de nem sempre o conseguir, o que escrevo é o reflexo do que sou.....será?
A ti, pelo menos vejo-te assim. É inevitável criar expectativas sobre o que está do outro lado, mas o ser escondido por de traz do ecrã acaba-se por revelar. Tu passa por questões de coerência e transparência com as nossas ideias e com a nossa forma de ser.

Beijos e boa semana

a lice said...

"Há que seleccionar o que interessa e descartar o que não interessa!"

Esta máxima é, sem dúvida, fundamental!:)

(Tenho um post para ti no mini-saia!)

Vespinha said...

Ola

Agora só passo 5 minutos do dia na net.

E ja gastei neste comment um minuto...

Andar na net é pecado, mulher!!!

Bj da Vespinha

Eva Shanti said...

Vespinha,

Pois é, a Internet é uma coisa do Demo...

Mas olha, entre pecar por 5 minutos e pecar por 50, antes perdido por 1000 do que perdido por 100!

Parrot,

O que escrevemos não está totalmente dissociado do que somos.

Se gostas de determinado escritor ou se lês habitualmente uma coluna num jornal é porque te identificas com o que é escrito - a forma de escrever, as histórias que são contadas, as ideias que são veiculadas... Só isso implica que se "conheça" a pessoa que está por detrás da escrita? Acho que não, mas não deixa de ser um começo. Começas a pensar, "gostava de conhecer aquela pessoa". O mesmo acontece com os músicos ou com os pintores, fica-se com curiosidade por conhecer o universo daquela personalidade.

Agora, aqui nos blogs, se trocas comentários sobre os posts que escreves, se trocas mails sobre este ou aquele assunto, se, de alguma maneira, aprofundas a relação com o autor de um blog, isso já será conhecer a pessoa, mais do que lhe conhecer a escrita.

A lice,

Aquela máxima está fantástica! Eu uso-a na minha vida de modo intuitivo, mas agradeço à Maria o tê-la teorizado.

Vou já cuscar o novo post do Mini-saia!

Ordepadamar,

Há sempre tanto para dizer...

Incisiva a tua análise:

- a questão da confiança no outro;
- os riscos que se devem ou não correr;
- a capacidade que todos temos de sentir e de representar;
- a questão da prova.

E sim, a realidade virtual não deixa de ser realidade...

Quanto aos animais, são como são e sabemos o que esperar deles, especialmente se sentirem ameaçados. Quanto às pessoas, às vezes apanhamos grandes surpresas e estas não são necessariamente boas...

Bjs

Isabel-F. said...

Acho que como em quase tudo ...
a Internet tem o seu lado positivo...e o seu negativo ...

Bjs

Eva Shanti said...

Isabel,

Chamem-me optimista, chamem-me o que quiserem, mas eu acho que o saldo é positivo!

Estranhamente, há por aí muita gente que acha que a Internet é coisa de depravados. Eu discordo totalmente.

Que os há por aí? Sem dúvida. Há pessoas negativas, obscuras, recalcadas, frustradas em todo o lado, não só na Internet.

Bjs

Mocho Falante said...

esta aldeia dos malucos é um mundo e há de tudo!!!!

Nem sempre o que se escreve tem de obrigatóriamente a ver com aquilo que somos.

Mas gostei muito deste artigo

beijos

Eva Shanti said...

Mocho,

Pois não. Há quem escreva para mostrar aquilo que gostava de ser e não é, ou então, inventa uma personagem e move-se pelo terreno da ficção. Mas indirectamente está a mostrar aquilo de que é capaz e a dar pistas sobre a sua veia criativa.

Também há quem queira mostrar uma faceta escondida, um lado seu menos visível.

Enfim, há pessoas e gostos para tudo!

Bjs

Maria Pedro said...

Lá está!
Gostamos do que lemos.
E gostamos de escrever.

É o que te digo.
É a blogo.
Às vezes gsotamos também de quem escreve.

Ana said...

Querida Eva,

Na net há de tudo, como aliás em todo o lado, como o disseste e bem!... O problema para mim, é que na net, podemos ser quem quisermos, durante o tempo que quisermos... e às vezes lá nos enganamos e lá damos com a cabeça na parede. Mas também te digo, se não fosse na net era noutro lado qualquer,... certo??

Beijinhos

Anonymous said...

.. Eva .. neste mundo de enganos .. onde está a verdade? .. nas palavras que dizemos .. naqueles pensamentos limitados que conseguimos dizer .. no que vemos .. .. [..] a verdade das coisas e dos relacionamentos electrónicos talvez viva da esperança que nela depositamos .. num sonho aqui guardado .. a meio do peito ..
.. onte te sonhasse sorrindo .. onde te sonhasse a chorar .. de uma forma tão linda e pura .. onde não nos pudéssemos pensar .. havia muito mais para dizer .. mas uma coisa devo dizer - te .. gosto de ti pelo que escreves .. Sérgio.

Eva Shanti said...

MP,

Nem mais: gostamos do que lemos, a maior parte de nós gosta também de escrever, por isso tem um blog e, por vezes, descobrimos a pessoa que está para lá das palavras e gostamos dela.

Ana,

Sem dúvida, se não for aqui batemos com a cabeça em qualquer lado. A não ser que nos isolemos de tudo e de todos, o que não me parece nem viável nem aconselhável.

Sérgio,

Há sempre sonhos e há sempre esperança, qualquer que seja a dimensão da vida.

Acredito que gostes do que escrevo, senão tinhas bom remédio e partias para a ignorância do meu blog.

Também acredito que sintas alguma sintonia com a parte visível da minha personalidade que ressalta aqui no blog, pois sem querer fazer disto um espaço pessoal, os temas que escolho têm a ver com os meus interesses e as minhas inquietações. Também gosto de brincar como gosto de falar um pouco mais a sério.

Penso que é isso que me tem levado a visitar mais assiduamente determinados blogs e o mesmo acontece com aqueles que me visitam, bloggers ou não.

Daí até conhecer as pessoas é outro caminho...

Bjs

Eva Shanti said...

Sobre os perigos da realidade virtual e da nossa imaginação ganhar asas e vida própria, acho este texto interessante:

http://marcio.tipos.com.br/amores-virtuais-trazem-efeitos-colaterais

Bjs

Luna said...

Venho agradecer a tua visita ao meu cantinho

A net é uma forma de comunicação e como todas as outras á que ter certo cuidado
fica bem

Dra.Daniela Mann said...

Cara Eva,
Não sei se já a convidei, mas gostava mesmo muito de ter o seu link!
Só que no amar-ela são as visitas que se linkam! Se não se importar, vá até lá, clique no páginas amar-ela e preencha o formulário para adicionar o seu blog no nosso directório de pesquisa.
Um abraço amigo da Daniela

Maria said...

Sabes que tenho textos ficcionados no meu blog, mas na sua grande maioria são referências a situações do dia-a-dia, em qualquer uma das situações são sempre vertentes da minha vida, actual, passada mas sempre vivida.

Uma das coisas que aprendi é que quando lês um livro, deves sempre ler a biografia do autor, ajuda sempre a entender melhor o que lês. Em Portugal, ler Eça e conhecer o seu percurso pessoal, ajuda. Mas se leres "The Catcher in the Rye" e conheceres J.D. Salinger entendes um pouco mais, e assim sucessivamente. O que escrevemos é também um dos espelhos da nossa alma.

Eva Shanti said...

Maria,

Concordo. Tudo o que vejo, o que conheço, o que experienciei reflecte-se na minha escrita.

O post seguinte é um claro exemplo disso: estava à hora de almoço perto de uma televisão e deparei-me com a cena que descrevo. Simultaneamente, o meu espírito crítico começou a funcionar...

Bjs

Eva Shanti said...

Cara Daniela,

Dito e feito! Obrigada pelo convite.

Bjs