Sunday, August 20, 2006



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Preservativos & Chocolate

Diz-me o que compras e dir-te-ei quem és.

Deitar um olho no supermercado às compras dos outros é uma forma de passar tempo na fila da caixa e saber algo mais sobre aqueles com quem nos cruzamos. Mais do que um jogo é Psicologia em exercício.

O que pensar de uma mulher cujo cesto de compras contém uma caixa de preservativos e uma tablete de chocolate?

Ambos são profiláticos. Uma compra dos dois em simultâneo sugere que duas necessidades estão em vias de ser acauteladas: sexo seguro e conforto emocional.

O preservativo é o meio mais seguro de evitar doenças sexualmente transmissíveis e, eventualmente, uma gravidez indesejada, embora em ambos os casos não seja 100% infalível. Aconselham-se outras precauções na vida sexual tais como um análises regulares do HIV, alguma cuidado na escolha de parceiros e o uso de outros métodos contraceptivos.

Já o chocolate é portador de feniletilamina e triptofano (precursor da serotonina), o que o torna no remédio universal para os males de amor.

Logo, estamos diante de uma rapariga ultra prevenida, que encara a sexualidade com maturidade e suficientemente esperta para ter um sucedâneo por perto...

Wednesday, August 16, 2006

Basta querer Basta sentir Basta ser Basta sorrir…

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Pormenor do Basta Café-Jardim - Foto de Joaquim Pinto


Os bairros mais pacatos de Lisboa encheram-se de espaços bonitos, propícios a um serão agradável com amigos ou uma saída a dois. Longe dos conhecidos locais da movida*, a Capital tem vindo a ganhar uma vida própria com pequenos oásis, propostas diferentes e variadas que aproximam as pessoas da cidade.

Um dos meus spots preferidos tem a sua génese envolvida por uma aura de sonho tornado realidade, uma história inspiradora de encontro de culturas e de busca de realização pessoal e profissional. E se há coisa que eu gosto é de uma boa história, por isso, aqui vai ela: uma argentina e um sérvio conhecem-se em Lisboa; desse encontro resulta a viragem profissional na vida de ambos assente numa partilha de interesses em comum que leva à concretização de um projecto de fusão de culturas e sabores.

Com uma paixão pela cozinha criativa e em constante evolução, Josefina Cardeza e Milos Ivkovic são a dupla que comanda uma aventura de sentidos chamada Basta Café-Jardim, um espaço composto por um jardim transformado em esplanada, uma sala grande com um pequeno privado (excelente para um jantar de grupo), um pequeno bar e uma sala de exposições. O jardim funciona todo o ano, ainda que no Inverno conte com aquecedores, informação vital para os apreciadores do ar livre.

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Pormenor do jardim do Basta Café-Jardim, onde se pode ver a calçada portuguesa e as árvores de copa alta no interior do nº 175 da Av. D. Estefânia, em Lisboa - Foto de Joaquim Pinto

A decoração mistura o revivalismo dos anos 70 com a

Arte Nova

num retro confortável, uma amálgama de estilos que junta o sofisticado ao acolhedor. É o sítio ideal para passar um bom bocado na companhia de um livro ou jornal, de acompanhar um chá ou um café (para não falar num cappucino) com uma boa conversa, petiscar entre refeições ou viajar à mesa com a degustação de uma ementa toda ela apetecível.

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Foto de Francisco Silva

A música, complemento indispensável a qualquer ambiente, é um fundo sonoro em perfeita consonância com o paladar, ou seja, moderna, actual, imaginativa, de bom gosto.

O nome do Café-Jardim é uma inteligente combinação de sentidos linguísticos: Basta quer dizer “jardim” em Sérvio e significa "põr fim" ou "suficiente" em Português, uma palavra que pode ter o sentido dinânimo de cessar algo para, no mesmo momento, começar outra etapa, ter outra atitude.

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Josefina Cardeza e Milos Ivkovic: “Basta querer que os nossos sonhos se realizem”



*Bairro Alto, Docas e 24 de Julho

Ao N., que tenho o privilégio de conhecer há 21 anos e que sabe como ninguém mostrar-me o lado bom da vida. Obrigada!

Monday, August 14, 2006

Are you trying to seduce me? Silly question, of course you are.

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Ponte 25 de Abril à noite de Ivo Gomes

Lisboa é uma cidade sedutora, envolvente, sensual.

Arrufos, amuos e agastamentos, quem não os tem. Comigo acontecem porque Lisboa não me é indiferente, mas depressa cessam as hostilidades e elevam-se as alegrias que me dá a Cidade que eu adoro e impõe-se um rol extenso de momentos bons da minha história pessoal. Já as agruras e mágoas, essas são aligeiradas pelas voltas intermináveis que dou pela Cidade, a pé ou de carro, até me sentir mais leve, mais objectiva nas apreciações, mais certa de que há sempre uma solução para tudo.

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Rua da Atalaia by bicyclemark in flickr.com

Acabei por trocar a Praia pela Cidade. Um dia atrás do outro com a partida a ser adiada, fui ficando, primeiro presa a desculpas, depois de vontade livre e esclarecida. Lisboa está com boa onda, rica em ambientes com espírito próprio, definido e variado.

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Lisboa à noite vista de Cacilhas by mrita in flickr.com

Entreguei-me, ciente das suas artes da sedução, a um Cidade imparável, encantadora. O saldo positivo resulta de duas semanas plenas de (re)descobertas de pessoas e lugares, uma mão-cheia de histórias que se entrelaçam, vivências cujos efeitos futuros a seu tempo irei desvendar.

À Praia reservei uns fins-de-semana em Setembro, longe do bulício da época alta, quando a névoa pesada pede camisolas de lã fina e tostas em pão rústico.

Friday, July 28, 2006

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Já faltou mais

Mais uns dias e vou para outras paragens. Levo havaianas na mochila, roupa prática, livros e o PC. Parto com a intenção de dar grandes caminhadas na praia, de ler, de comer muita fruta e de não me aborrecer com nada. Álcool e noite q.b., que isso tenho eu muito durante o ano. Sei que vou pensar na vida, tomar decisões, preparar-me para mais lutas e mais batalhas.

Vai haver tempo para surfar na net e para escrever tudo o que me apetecer, tudo o que me aguçar a curiosidade, tudo o que me inquietar a alma. Se vou publicar? Não sei. Férias é isso mesmo, é não saber muito bem o que vem antes e o que vem depois e, mesmo sabendo, ter a liberdade de alterar os planos à última hora.

Thursday, July 27, 2006

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Uma questão de atitude

"In my heart, I think a woman has two choices: either she's a feminist or a masochist." - Gloria Steinem

Falsa emancipação da Mulher? Não. Acho que estamos a meio caminho. Mais, a minha postura optimista leva-me a acreditar que se vai avançando, lentamente, nesta alforria, nesta luta que tem por objectivo a mudança de mentalidades não a supremacia do sexo feminino. Um dia de cada vez, milhares de mulheres em todo o mundo fazem o seu próprio caminho, estudam, trabalham, são mães, são mulheres.

Os obstáculos, as contrariedades, os atropelos existem, muitos deles vindos de onde menos se poderia esperar, ou seja, das próprias mulheres. Custa-me sempre ouvir comentários machistas e misóginos, tal como expressões racistas, xenófobas e de algum modo discriminatórias. No entanto, o que mais dói, o que mais me tira do sério, são as críticas destrutivas vindas de mulheres que se regem por preconceitos masculinos, mulheres que se subestimam, mulheres que cobardemente criticam as mulheres que têm a coragem de serem elas próprias.

Uma mulher é constantemente posta à prova durante a sua vida, sendo os exemplos disso mais que muitos. Mas uma mulher só passa a vítima se ela própria se martirizar.

A profissão e a maternidade
As mulheres que tiveram a possiblidade de optar entre uma profissão ou serem mães a tempo inteiro, as mulheres que se dividem por opção ou condição entre a maternidade e a carreira, vivem invariavelmente com um sentimento de culpa por terem feito uma escolha ou vivem com o complexo de tentarem exercer irrepreensivelmente as duas, numa tentativa supra-humana de serem boas mães e boas profissionais. Acredito que, com ajuda, podem consegui-lo, mas é uma questão que não se coloca aos homens. Aliás, um homem que queira ser pai a tempo inteiro ainda é uma raridade e qualificado como um ser fraco e dependente da mulher.

A profissão e as tarefas domésticas
Uma mulher que contribui para a economia familiar com o seu ordenado deveria esperar do seu companheiro uma contribuição equitativa no trabalho doméstico. Afinal, quando chegam a casa, ambos estão cansados e ambos têm responsabilidades na gestão do lar. Contudo, é sobre a mulher que recai a obrigação de ter a casa limpa, arrumada, o jantar na mesa, a roupa passada… A “ajuda” do homem costuma ser insuficiente, porque “ajudar” não é o mesmo que
“repartir”, “partilhar”.

A imagem da mulher
Há mulheres que se queixam porque são tratadas como objectos sexuais, mas elas são as primeiras culpadas porque se reduzem a bocados de carne, corpos ambulantes, mais pelas atitudes do que pelo guarda-roupa
.

E podia continuar, mas prefiro terminar como comecei, citando Gloria Steinem: "O primeiro problema para todos, homens e mulheres, não é aprender, mas desaprender".

Outras citações de Gloria Steinem


Monday, July 24, 2006

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A Cantada*

Agosto. Um dia dos mais quentes. Mesmo ao fim da tarde, não corria sequer uma brisa. Ainda em férias, deu-me para escolher o caminho mais longo, dar uma volta pela cidade, corrê-la de uma ponta à outra à moda de turista acidental. É o que faço sempre que posso.

Depois de subir o Largo do Martim Moniz, dou comigo na Av. Almirante Reis, em direcção à rebaptizada Praça Francisco Sá Carneiro, aquela que a memória insiste em chamar de Areeiro.

Parei num dos primeiros sinais vermelhos de uma extensão de 2,5 Kms da velha avenida lisboeta. Incongruência estar de portas trancadas e com os vidros do carro totalmente abertos, mas o calor insuportável superava a necessidade de segurança.

Ao meu lado, uma carrinha branca, também de janelas abertas e um homem novo ao volante.

De olhos postos no semáforo, oiço com um sotaque brasileiro:

- Ó moça! Você pode me dar uma informação?
- Sim, claro – respondi com naturalidade.
- Como é que faz prá chegar no seu coração?

Silêncio do meu lado. Os segundos seguintes à pergunta pareceram-me minutos. Reacção única possível, desmanchar-me a rir e dizer:

- Teve piada, teve teve!
- Não é piada não, moça. É sério!

Abre o verde e arranco com um suspiro de alívio. Ele há cada um! E brasileiro é fogo, está visto!

Não tardou muito, a parar novamente num sinal vermelho. E a carrinha branca, sempre ao meu lado. O homem não desarmou:

- Me dá seu telemóvel, dá?
- Não – o mais redondo que fui capaz.
- Ué, seu coração tem dono?
- Não, está fechado para obras – frase feita de quem quer simplesmente dizer “não tou a fim”.
- Oba, mas eu trabalho com obra! Me deixa consertar, deixa!

Risos da minha parte, mais uma vez. Cara insistente! Engraçado, esforçado, mas não caiu em graça.
A história terminou na rotunda da Praça do Chile, com o meu ego massajado continuando a subida da Almirante Reis e a carrinha branca em direcção à Rua Morais Soares.

Para dizer a verdade, não me lembro do rosto do brasileiro. Agora a conversa, acho que nunca mais a vou esquecer! Já lá vão 3 anos...

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Mapa daqui

* Palavra brasileira que significa galanteio, piropo

Agumas dicas sobre como NÃO cantar uma mulher - Se bem que quando uma mulher não está interessada, não há dica que resulte!

Fotos da Av. Almirante Reis em Lisboa gentilmente cedidas por Milan Perveze :)

Saturday, July 22, 2006

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Doce fazer nada
Foto de Anguilla in www.tropical-paradise.net/

Una vacanza da sogno, il paradiso del dolce far niente. Uma ilha paradisíaca, um areal sem fim, deserto, adornado por águas azuis, transparentes, apetecíveis. Eis a imagem que formamos na nossa mente quando pensamos em férias. E logo nos ocorre não fazer absolutamente nada, nós que passamos a vida a correr a tentar fazer isto, aquilo e o outro. Dolce far niente, ma quando?


Somos educados para sermos activos, dinâmicos, pro-activos. Aguentamos muito tempo sem fazer nada? Sabe-nos bem parar, respirar fundo, mas esse é só o momento em que ganhamos forças para continuar a prossecução dos nossos objectivos, pessoais e profissionais. Este é o retrato da "classe dos insatisfeitos", daqueles que não conseguem estar parados, que têm sempre mil e uma ideias a fervilhar, que não sabem viver sem magicar. É a eterna contradição de precisar de descansar, mas depois não saber como. Chamam-lhe o "stress das férias", a causa do maldito descanso.


Falo por mim: Se não tiver uma rotina em férias, uma série de actividades que preencham os dias, se não sentir que o que faço tem um propósito, aborreço-me de morte. Só durmo, entro em completa depressão.


Dolce far niente? Sì, ma non troppo.

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Thursday, July 20, 2006

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Avis rara*

Já que, aqui no Paraíso, andamos numa onda de aves raras, aqui vão umas dicas sobre o Mocho mais lindo do mundo e redondezas:

- Tem por hábito esquecer-se dos aniversários dos amigos (eu que o diga e a Ouricette também);

- Odeia queijo;

- É amigo do seu amigo, sempre pronto a ajudar no que pode e como pode (mesmo quando fica incomunicável – toma lá e embrulha!);

- É sábio; diz sempre as verdades mesmo quando são duras de ouvir – “Tem juízo, pá!”;

- É um refinado gourmet, excelente na arte de bem receber;

- Tem um humor apurado e sempre na mouche;

- É competente, coisa rara neste País (comprovado por experiência própria);

- Não dispensa um bom Earl Grey (nada de imitações baratas, faxavor), de preferência numa mug finérrima, térmica e em London City;

- Não é uma espécie cinegética, mas sim a proteger e a mimar.

Hoje é o dia do Mocho. Que conte muitos e bons dias, meses, anos...

*Latim; 1. “Ave rara.” 2. “referência a tudo que é estranho ou inusitado, que só se vê ou aparece raramente.”


P.S Não mudes nunca!


Sunday, July 16, 2006

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Sex & The City, Season 2, ep. 15: Are all men freaks? Carrie dates a bunch of freaks before she meets Ben, then ruins a great thing when she turns into a freak

A noite de Sábado foi plena de emoções e estados de espírito. Amizades antigas e recentes, o peso da morte de alguém querido que cedo demais nos deixou, vivências presentes e passadas que nos fizeram rir sem parar, a esperança de uma vida ainda em aberto com muitas surpresas pelo caminho.

Vagueei pelas ruas do Bairro Alto a abarrotar de gente encalorada. Parei aqui e ali mirando os galãs da noite invariavelmente vestidos com t-shirt ou camisa preta – fariam parte de uma seita? Será o novo uniforme de D. Juan? Mistério… O certo é que todos eles estavam vestidos de preto e isso confundia as minhas amigas com os comentários, pois “aquele de t-shirt preta” não era assim tão fácil de identificar dentre os milhentos que por lá constavam.

O ponto alto da noite deu-se quando mudei de discoteca. Eram 4.30h mas havia pedalada para ir até às 6h, quiçá até às 8h. Não tardou muito a que o meu olhar esbarrasse num desconhecido que vira antes noutro bar. Pensei logo: “Qual a probabilidade de encontrar um estranho duas vezes na mesma noite?” Fiquei na expectativa de um sinal de romantismo patético, mas que gosto tanto. Mesmo que Lisboa seja quase uma aldeia, a escolha de estabelecimentos nocturnos é grande e variada.

Bom, a conversa começou a fluir, envergonhada, pouco segura, seguindo o seu curso no meio da confusão da pista. Os meus amigos iam controlando discretamente, não fosse um olhar de socorro justificar uma intervenção. O rapaz lá ia falando. Matemático, há 20 anos em Lisboa, nascido no campo, entre outras informações de carácter geral, disse ter uma horta no meio da cidade. Um constant gardener, presumi, rústico e diferente. Chamaram-me à atenção os olhos de louco que brilhavam no escuro e senti algo estranho, não gostei, o meu instinto entrou em alerta máximo. Ainda assim, a conversa continuou. Porém, eis que o espécime me diz não usar nada químico (realmente sucediam-se os cigarros enrolados) e nisto tira um ramo de salsa do bolso da camisa e mostra-me o seu “perfume”.

E o que faz uma rapariga quando lhe estendem um ramo de salsa usado como perfume? Possivelmente, numa fracção de segundo ocorre-lhe que num outro bolso poderá estar um dente de alho por causa do hálito ou coisa que o valha e foge!

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O corte foi inevitável. O impacto da situação foi demasiadamente negativo. Longe de criticar alguém pela sua diferença, devo ter sido a única a não reparar nas botas ensebadas do moço, cujo sebo, pelo andar da coisa, também deve ser de fabrico próprio e caseiro. Ugh!

Sunday, July 09, 2006

O fim também é um começo

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Aceitar o fim ou lutar até à última, eis o dilema com que se deparam muitos casais. E não é nada fácil dissipar dúvidas, encontrar um caminho no meio da confusão de sentimentos opostos, tomar uma decisão, pôr um ponto final ou uma vírgula no relacionamento.

Há que contar com os factores externos e discernir quais os que podem contribuir para a harmonia e para o entendimento e quais os que dificultam a percepção das coisas e conduzem a uma visão reduzida e parcial.

Amigos, família, trabalho, interesses comuns, pontos de divergência, hábitos, hobbies, tudo o que seja susceptível de que interferir numa vida a dois tem de ser valorado com consciência e a máxima objectividade.

Todas as situações têm de ser analisadas caso a caso pelos interessados, e apenas estes têm legitimidade para separar o que interessa daquilo que já não importa, diferenciar aquilo que conta do que é dado como perdido, pesar a importância do individual no colectivo.

De longe e ao mesmo tempo tão perto, andava a acompanhar pelos media as dificuldades do relacionamento de Hilary Swank e Chad Lowe, como se de amigos se tratassem, torcendo para que os obstáculos fossem superados, mas o casal, após vários meses optou pela separação em definitivo depois de tentativas goradas de reconciliação.

Como se não bastassem os problemas característicos dos comuns mortais, este par teve de lidar com exposição constante, com o sonho holywoodesco de casal perfeito e o voiyerismo público em que também me incluo, consequências inevitáveis de uma indústria poderosa e de um estatuto de estrelas alcançado

Do "velho cliché de amor à primeira vista" nasceu uma relação relativamente estável (1992-2006) que culminou num corte amigável, tanto quanto possível.

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2004- Foto Vanity Fair

Olhares atentos acusadores detectaram a falta de menção de agradecimento a Chad no discurso do Óscar de Melhor Actriz Principal em 1999 e nunca mais se deixaram de críticas.

Foram atribuídas as tensões no casamento ao crescente sucesso de Hilary que conflituaria com a tímida e apagada carreira do marido. Não se duvida que os diferentes percursos profissionais tenham contribuído para destabilizar o casal, mas a causa apontada como razão principal da separação foi à dependência de Chad de uma substância intencionalmente não identificada.

Hillary declarou:


“I knew something was happening but I didn’t know what,” - Vanity Fair magazine."

When I found out, it was such a shock because I never thought he’d keep something from me. And yet, on another level, it was a confirmation of something I was feeling that was keeping us from being completely solid.”


“I don’t want to make it seem like that’s the sole reason; there were other factors. But that just kind of blew it open. It made me look at things a lot deeper. That’s when you realize it’s not going to work.” -
New York Post


Oscars night

77 th Annual Academy Awards - Governors Ball, 2005

Notáveis estas afirmações de Hilary:

"It takes two to make something work or not work. I'm a person with my own faults and troubles," Swank now says. "In the end, it just didn't work, but I would never look back on this relationship as failed. I look at it as 13 and a half years of success."

Afinal, o fim também é o começo de algo. Atrás de um sucesso, venha outro!

À T. , ao N., ao L., à M., que vivem ou viveram momentos de viragem nas suas vidas, de fecho de um ciclo e começo de outro. Aos que atravessam o deserto em busca de um oásis, porque as travessias também fazem parte da aprendizagem.

Thursday, July 06, 2006

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*Beber com moderação e nunca conduzir após consumo de álcool

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Cosmopolitan

O cocktail à base de vodka criado em 1975, voltou a estar na moda por ser a bebida in das 4 amigas da série Sex & The City. O Cosmo é considerado como soft drink, bebida leve, feminina ou efeminada, e pertence à lista dos clássicos, tal como o Alexander ou o Bloody Mary, bebidas imprescindíveis em bares que contam com um público mais sofisticado e exigente.

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1/4 chávena Vodka

2 colheres Triple Sec

2 colheres de sumo de amora (ou cherry brandy)

1 colher de sumo de limão fresco

1 cereja

Agitar todos ingredientes num shaker cheio de gelo. Verter para um copo de cocktail preferencialmente gelado no congelador ou arca frigorífica e colocar dentro uma cereja. Para decoração, colocar na borda do copo um pouco de sumo de amora e juntar açúcar.

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Vodka story

Vodka Club

Absolut Hunk - apenas para meninas maiores de idade, não impressionáveis e sem problemas cardíacos; quanto aos meninos, peço desculpa, mas depois de um Portugal-França com um final infeliz para o nosso lado, há que lavar as vistas.

Variações do Cosmopolitan

http://umprocaminho.blogspot.com/ - um espaço a espreitar

Absolut ads

Absolut Vodka Advertisment Archive


Smirnoff Illusion Ads

Wednesday, July 05, 2006

Futebol no Feminino

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No dia em que Portugal inteiro aguarda com grandes expectativas o jogo das meias-finais com a França no Mundial 2006, aqui ficam umas palavritas sobre o futebol no feminino, mais uma conquista das mulheres, mas com uma notoriedade ainda reduzida.

As mulheres já não enchem só as bancadas a apoiar a selecção do seu país ou o seu clube de eleição. Elas também estão a ganhar terreno no desporto-rei.

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Party time

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Saturday, July 01, 2006

Querido PC

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Confidente por excelência, basta puxar de uma folha de Word e nela depositar o que vai na alma; Secretário eficiente, desde que seja devidamente programado para lembrar o que é importante com os seus pop-ups; Janela para um mundo infinito de potencialidades – a Internet.

É uma relação segura, o que não impede que, pelo sim pelo não, se façam back-ups da informação, altamente recomendável a quem confia a vida a uma máquina.

Ora, aliar a tecnologia à moda, eis a receita da NGS para mulheres sofisticadas, fartas das típicas malas pretas e sem graça dos portáteis. Fiquei fascinada com a mala Stella e com o rato kitsh Graffiti. Mas quero mais, ou seja, gostava de uma nova criação com um padrão inspirado nos Sixties, com um toque vintage. E falta também quem invista na criação da tampa X-press-on para portáteis, tal como existe para os telemóveis.

Tudo, para o nosso querido PC!


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Fica a ideia e ficam alguns sites para inspiração:

http://www.thebrighton.demon.co.uk/ - Excelente loja de tecidos. Vale a pena dar uma vista de olhos e viajar no tempo...

http://www.retroonline.com/fabrics.html - O retro em tecidos modernos

http://stores.ebay.com.au/Retro-Age-Vintage-Fabrics - Tecidos vintage no ebay

http://www.sixtiescity.velnet.com/Fash2/Fashion2.htm - Tudo sobre roupa, design e acessórios dos 60´s - Imprescindível

http://www.bbc.co.uk/homes/design/period_1960s.shtml - Sixties, o retrato de uma época através de objectos e criadores

http://www.classic-modern.co.uk/ - Tecidos, tapetes, candeeiros, cerâmica… Tudo com muito estilo!

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Vintage modern retro 50's, 60's and 70's textiles and fabric from op to pop-art and psychedelic - um mundo a descobrir.

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Torradeira vintage - A tendência da moda que das roupas se estende aos electrodomésticos, aos móveis, à decoração.

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Sex & The City, Season 4, Episode 56: "MY MOTHERBOARD, MY SELF"

Monday, June 26, 2006

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Relações Perfeitas

Confesso que me é difícil libertar da noção de amor romântico.

Para já, deixo de lado a química dos afectos e a explicação das motivações que nos levam a eleger um parceiro em detrimento de outros, estudos científicos que reduzem o fenómeno do Amor ao nível das reacções hormonais como se uma explicação do sistema respiratório ou digestivo se tratasse. Importantes contributos, parece-me que preponderante o tipo de sociedade em que nos inserimos, os aspectos culturais a que somos expostos, o sistema educacional que molda o nosso raciocínio, em suma, tudo o que condiciona a forma como vemos o mundo.

Propagandeado em filmes, livros, novelas, difundido em histórias de crianças e contos de fadas e princesas, o amor romântico enaltece a fase do enamoramento, da paixão, do sonho tornado realidade. E é assim que vivemos, condicionados na procura o ser perfeito, grandemente assente no individualismo e na quimera dos sentidos, culpabilizando-nos por não conseguirmos atingir o objectivo imaculado e intocável de relação perfeita, tornando o nosso passado amoroso um rol de amores e desamores.

Neste momento, até por que a vida já me ensinou isso, aceito sem hesitações que aquilo que devemos aspirar é a relação perfeita, um relacionamento especial baseado no entendimento mútuo, no companheirismo. É uma comunhão de vida que não se propõe ao “para sempre”, que tem em conta que tudo é finito, mas cuja vontade de ultrapassar obstáculos que inevitavelmente surjam e o esforço em prol de uma vivência comum harmoniosa tende a levar a relação à perpetuidade.

Problema que desconfio que não seja só meu:

1) Sou incapaz de ignorar uma forte atracção física, a intensidade daquilo que o outro provoca em mim “à primeira vista” e deixo-me levar pela irracionalidade dos sentimentos se for correspondida;
2) O que valorizo é a confiança mútua e a existência de um projecto de vida em comum, o compartilhar de valores, interesses e objectivos.
3) Lido mal com a rotina, com a falta de novidade, com a calmaria do que já conheço sentindo um apelo forte pelo desconhecido – sou assim no Amor e na vida.


Reconhecer tudo isto, saber que há muito de características da personalidade a articular com as influências do meio, actualizar conceitos e modificar algumas atitudes, esse é o meu desafio pessoal.


Photo of a Heart in the Sand
Bibliografia:
- ROUGEMONT, DenisO amor e o Ocidente, Lisboa : Vega, D.L. 1989
- ROUGEMONT, Denis, Os Mitos do Amor [1996], Lx. Livros Horizonte, 2001
- GIDDENS, Anthony (1995), As Transformações na Intimidade, Oeiras, Celta Editora.

Tuesday, June 20, 2006

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Paradoxos

"Quando te conheci tive medo de gostar de ti, agora gosto de ti e tenho medo de te amar, agora amo-te e tenho medo de ter perder"

Anónimo

É muito difícil haver Amor sem algum apego. Aliás, acho natural que haja apego, caso contrário há desinteresse e não há Amor.

Falo de “apego” no sentido de dedicação e afecto que nos faz querer que as pessoas que amamos façam parte da nossa vida, participem dela e nela permaneçam. Falo de “apego” como o sentimento humano gerado pela necessidade básica de segurança, de pertença a algo ou alguém.

Quando o apego passa para uma dimensão em que queremos que o outro corresponda forçadamente com a ideia que fizemos dele, quando insistimos em moldar o seu comportamento aos nossos padrões e impedimos a manifestação da sua identidade própria, do seu individualismo, então já estaremos no campo do egocentrismo, do impedimento do desenvolvimento de uma relação afectiva saudável, porque há uma incapacidade de entender que tudo tem a sua vida própria e que, pela natureza das coisas, há muitas áreas que escapam à nossa influência.

Este sentido pejorativo de apego como forma de dependência existe, não só na relação de dois amantes, mas também noutro tipo de relações. Por exemplo, nas relações parentais, quando um ou ambos os progenitores tentam enquadrar os seus filhos num quadro idealizado que pouco tem a ver com a vontade destes e até com o seu perfil, obrigando-os a seguir determinada carreira para que não têm nem interesse nem vocação.

Visto desta forma, “apego” significa colocar na esfera do outro a responsabilidade de nos completar e de nos fazer felizes. No fundo, é uma auto-demissão da responsabilidade que pertence a cada um de nós de viver com decisões que só podem ser nossas e de sermos capazes de nos realizar pessoalmente.

O Amor quer-se desprendido, sem a mesquinhez do ciúme, com respeito pela individualidade do outro, sem interferências exteriores que agridam a liberdade pessoal, sem exigências e sem ressentimentos.

Todavia, qualquer sentimento humano é assolado de imperfeição e, mesmo que lutemos contra isso, há sempre momentos de insegurança, de medo, de fragilidade, de solidão.

Saturday, June 17, 2006

Love or Lust?

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"Sex alleviates tension. Love causes it" - Woody Allen

Amor ou desejo? A pergunta é minha.

Tuesday, June 13, 2006

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Quando a arte imita a vida

Pedofilia: a zona cinzenta ou o tratamento desigual em função do sexo?

"Verão de 42" (Summer of 42, 1971) é um filme corajoso, sensível, que retrata a realidade da descoberta da sexualidade de três adolescentes de 15 anos nas férias de Verão. A “primeira vez” é sonhada e aguardada de forma diferente pelos três amigos: Oscy, num misto de fanfarronice e gabarolice faz conta à quantidade raparigas que espera “engatar” nas férias, Benjie é o tímido, o miúdo receoso de abordar o sexo oposto, Hermie encarna o jovem sonhador que procura o amor verdadeiro consumado com alguém especial.


À sua maneira, nem sempre em correspondência directa com o idealizado, os três rapazes perderão a virgindade. Contudo, o centro da atenção recai sobre a relação de Hermie e Dorothy, uma mulher mais velha, carente, cujo marido ausente se encontra ao serviço das Forças Armadas como piloto na II Guerra Mundial.

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A história é bonita e faz-nos esquecer completamente que, à face da lei, estamos perante uma situação de abuso sexual, um relacionamento explorado por Dorothy, que se aproveita da inexperiência e dos sentimentos de Hermie para colmatar a falta do marido.


Somos, pois, confrontados com aquilo a que chamo a “zona cinzenta da pedofilia”, não porque não esteja "preto no branco" no Código Penal Português, mas porque sociedade dificilmente rotula de abuso sexual a relação entre uma mulher adulta e um jovem ainda na puberdade, mas não hesita em qualificar como crime o relacionamento sexual de um homem maior de idade com uma menina de 15 anos.

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O filme "Verão de 42" foi premiado com o Óscar de melhor banda sonora, cujo tema principal faz parte da nossa cultura ainda que muitos não o relacionem com o êxito cinematográfica.

Em Português o bem mais recente, “Amo-te Teresa” (2000) com Ana Padrão e Diogo Morgado aborda o relacionamento amoroso de uma médica de 35 anos com um adolescente de 15 que por ela se apaixona. Teresa retorna à terra natal para um retiro espiritual, um encontro consigo própria para curar as feridas das suas desilusões no amor e envolve-se com Miguel.

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Perdidamente apaixonado, Miguel não consegue esconder os sentimentos por Teresa em quem pensa dia e noite. A pacata vila é assomada pelo escândalo e pela revolta quando a população descobre a existência do amor proibido. Num acto inconsequente, Migue pinta, durante a noite na parede da igreja “Amo-te Teresa” em letras vermelhas. A relação dos dois não tardará a ser revelada… Enquanto isso, o espectador (pelo menos o típico romântico incorrigível) passa todo o tempo a torcer por um amor impossível. Depreende-se que, passados os tumultos, o sentimento consiga vingar após o reencontro do casal amaldiçoado em Lisboa.

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A banda sonora é marcada pelo tema Asas (Eléctricas) dos GNR. Aliás, Rui Reininho, o conhecido vocalista da banda tem uma aparição secundária como guarda da GNR…

Com efeito, e se tivermos em perspectiva a nossa lei penal, as condutas de Dorothy e Teresa, são sancionadas com pena de prisão até 2 anos ou pena de multa até 240 dias (art. 174º, CP).


A lei entende ser necessário proteger o desenvolvimento global dos menores que não têm ainda a plena capacidade de decidir livremente em termos de relacionamento sexual.


Ambos os filmes mostram como é ténue a fronteira entre o crime e a livre expressão da sexualidade entre duas pessoas cujos tempos são dramaticamente diferentes. Ténue porque quando está em causa uma mulher adulta somos tentados a desculpar e a atribuir uma maturidade ao jovem que a lei só reconhece aos 18 anos. No “Verão de 42” não há punição porque a história é mantida em segredo, em “Amo-te Teresa” há uma clara reprovação da conduta da médica que é chamada à responsabilidade dos seus actos.


Em Portugal, as acusações contra mulheres abusadoras sexuais são raras e os próprios profissionais tem dificuldades em lidar com o assunto. Sabe-se pouco e os casos entretanto reportados não oferecem margem para dúvidas quanto à sua qualificação como crime, quer pela idade das vítimas quer pela relação de parentesco que os torna jurídica e moralmente injustificáveis.

Os actos sexuais com menores ganham contornos acentuadamente mais graves quando os jovens dos 14 aos 18 anos se encontram numa situação de dependência, tal como é o caso da relação professor-aluno – art. 173º, CP. Dado que o agente se encontra investido no dever de assistência ou educação, a pena de prisão pode ir de 1 a 8 anos e não há possibilidade de pena de multa.

O legislador teve em consideração os diferentes os graus do desenvolvimento da personalidade do menor na esfera sexual, pelo que quem ponha em causa a liberdade e autodeterminação sexual de menor de 14 anos é também fortemente sancionado nos termos do art. 172º, CP.

São frequentemente noticiados nos EUA casos que têm indignado os Americanos, não só pelos factos em si, mas pela dualidade de critérios na aplicação das penas, bem menos severas quando estão em causa mulheres abusadoras. O sexo masculino goza de muito menos tolerância e os mesmos crimes geram um alarido social de incomparável dimensão. Daí a questão: São os estereótipos sexuais que justificam a diferença entre o número de infractores dos sexos masculino e feminino?


Foi mediático e pertence à memória colectiva (quanto mais não fosse pelos 2 livros e 1 filme) o caso amoroso da professora Mary Kay Letourneau iniciado quando esta tinha 34 anos e o aluno Fualaau apenas 12. Um amor que resistiu a todas as adversidades: Aos 43 anos, Mary Kay após ter cumprido 7 anos de prisão efectiva e de ter tido dois filhos dessa relação, casou com Fualaau de 22.

Fenómeno complexo e polémico...

Saturday, June 10, 2006

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Aihaiah
Mediterrâneo Agosto
Em pleno Verão
Aihaiah
O sol a pino e eu faço
uma revolução
Aihaiah

Pensar em Verão é lembrar de férias, tempo livre e sem horários, praia, dias ensolarados, dolce fare niente, festa, muito amor e pouco compromisso.

É o momento alto da exaltação dos sentidos acordados pela Primavera. À libertação dos odores, à intensidade das feromonas, aliam-se as noites longas, o ar quente carregado de sensualidade e erotismo, uma maior predisposição para reagir aos vários estímulos que nos bombardeiam sem tréguas.

Planeia-se menos, vive-se no imediato, celebra-se o presente e deixam-se fluir os acontecimentos ao sabor dos impulsos sentidos no momento. Sociabilidade


O Verão é, por excelência a época do romance. Corpos quentes, concentrado de Sol na pele, roupas leves de tecidos frescos, um espírito despreocupado, descontraído.


O despertar da paixão está associado a emoções fortes, privilégio do período estival. O meio condiciona em muito a nossa percepção. O mesmo facto pode ganhar uma dimensão diferente e exponencialmente maior consoante o nosso estado de alerta.

No Verão há um favorecimento claro dos jogos de sedução e, consequentemente, a atribuição de um significado mais intenso às experiências vividas. Lembramo-nos das músicas, dos amigos, das discotecas, das patuscadas, das conversas intermináveis e das jogatinas de cartas… Tudo isso fica gravado de uma forma mais profunda e única na nossa memória. E tal não acontece por acaso: há uma maior tendência para nos apaixonarmos por alguém se vivenciarmos com essa pessoa algo para nós marcante.

Em tempo quente de férias, longe do rebuliço da vida de todos os dias, a subida dos níveis de adrenalina potencia o desejo sexual e favorece o envolvimento sem pensarmos muito em consequências. O álcool, desde que o consumo seja moderado, funciona como elemento desinibidor. Surgem pretextos de aproximação, a possibilidade de rejeição é menor, uma “tampa” pode ser levada com mais leveza. Estão reunidas condições para o sucesso das investidas!

É importante aproveitar bens as energias do Sol e recarregar baterias, pois o último trimestre do ano é sempre o mais duro e exigente.

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Alguns “amores de Verão” enterram-se na areia no final das férias e deixam apenas as (boas) recordações. Outras relações perduram, evoluem, vencem o retomar da rotina, a rentré e consolidam-se em relacionamentos estáveis, duradouros.

Certezas ninguém as tem, riscos só os corre que quer. Mesdames et Messieurs faites vos jeux !

Wednesday, June 07, 2006

Theatre-Press-Shot 2005 - angry little gun by andchore

«Crimes de paixão» ou «crimes de possessão»?

Os homicídios praticados no seio do casal serão todos crimes passionais?

Antes da morte, muitas mulheres, vítimas dos seus maridos ou companheiros, sofreram violência física, psíquica ou ambas.

Os homicídios de mulheres são, na sua maior parte, premeditados e desejados pelos seus autores. Deveríamos chamar-lhes «crimes de possessão» e não de «crimes de paixão», pois quando o homicida decide o ataque final há já um tempo que pensava que isso «era inevitável». Não é a sua paixão amorosa que o guia, mas o seu egocentrismo desmesurado, que o faz acreditar em que há pessoas que lhe pertencem, mesmo que elas não o queiram…

Texto baseado no livro «Amores que matam, assédio e violência contra as mulheres», de Vicente Garrido, psicólogo criminalista, professor na Universidade de Valência.

Foto: Theatre-Press-Shot 2005 - angry little gun by andchore


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Escrevi este post em finais de 2005. Estava à espera de um momento que achasse certo para o "libertar". O Parrot deu-me o mote.

As histórias são quase sempre as mesmas: segundo as estatísticas, as vítimas são normalmente do sexo feminino, de idades compreendidas entre os 26 e 45 anos, sem dependências; os agressores, com um intervalo de idades entre os 36 e 45 anos, casados ou companheiros das vítimas, dependentes do álcool, praticam os crimes de maus-tratos físicos e psicológicos na residência comum.

De acordo com o relatório Penélope, a violência doméstica em Portugal não é muito diferente da que ocorre no resto do sul da Europa - Espanha, França, Itália e Grécia. A informação e conhecimento insuficientes, bem como uma falta de coordenação dos esforços e recursos, geram uma falta de sensibilização para um problema que é transversal à sociedade portuguesa. Infelizmente.

Entretanto, convido todos a (re)ler o que escrevi em Dezembro e Novembro.