Monday, October 30, 2006
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Tuesday, October 24, 2006
Aviso à navegação
Este blog teve uma breve pausa, não declarada e sem aviso prévio. A razão principal ficou a dever-se a uma nova rotina da Autora que ainda está em fase de assimilação, uma reorganização de vida que motivou um investimento de tempo maior do que o esperado.
A minha existência online tem sido quase exclusivamente profissional. Os sites visitados são todos técnicos, os assuntos maçadores e demasiado específicos. Isso significa que se alguém verificar o meu histórico de Internet ficará, no mínimo, entedeado.
Fora do horário de trabalho tenho andado mais preocupada em descansar o mais possível os meus dois neurónios, que são de estimação.
A programação seguirá dentro de momentos, ou seja, um dia ou dois. Voltarei aos textos de reflexões sentidas, de insólitos e curiosidades, de palavras dedicadas a personalidades e factos marcantes, tudo o que caiba dentro da linha de raciocínio a que me propus, de uma forma despreocupada e com uma ligeireza q.b: homens e mulheres, sexo e sociedade.
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Sunday, October 08, 2006
Pequenos gestos dizem muito. Se verbalizar um sentimento é importante e necessário, a verdade é que as palavras têm de ser apoiadas em actos assim como os actos adquirem uma força adicional quando acompanhados de palavras.
É humano precisarmos de provas de amor. É dessa confirmação diária que as relações se alimentam, crescem, evoluem num ou noutro sentido. A linguagem nas suas componentes verbal e não verbal não tem limites, contudo, precisa de ser correctamente interpretada pelo destinatário, sob pena de cair no vazio, desprovida de sentido,
Os bonequinhos de Kim Grove Casali (1942-1997) surgiram de forma despreocupada e ternurenta nos bilhetes para Roberto Casali, o namorado que se tornou marido. Ela neo-zelandesa, ele italiano, conheceram-se nas aulas de Ski na Califórnia. Roberto guardava religiosamente os bilhetes de Kim, expressões de amor em pequenos cartoons, mostrava-os aos amigos e fê-los chegar ao Los Angeles Times que os começou a publicar em 1970. Não tardou muito a que os bonequinhos se espalhassem por jornais em 50 países, fossem traduzidos em 25 línguas e animassem uma série de material de merchandising – canecas, t-shirts, cadernos, etc.
Love is… perdeu popularidade nos anos 90, mas os cartoons sobreviveram até hoje pela mão de Stefano Casali, o filho mais velho, com a colaboração de Bill Asprey.
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Monday, September 25, 2006
Uma estranha forma de vida
Há realidades que se sobrepõe àquela que chamamos de nossa e que tendencialmente consideramos como “normal”, porque o nosso ponto de vista é o mais defensável, já que é o nosso ou o de uma maioria significativa de pessoas e a ele aderimos sem reservas.
Um desses mundos à parte, com códigos próprios e uma entreajuda que ultrapassa o entendimento de quem está de fora, enche-se de frases à primeira vista ininteligíveis tais como “Eu sou pro-ana” ou “Já fui Ana, mas agora sou Mia”.
São os códigos de doentes de Anorexia e Bulimia que usam a Internet como fórum. Seres anónimos que escondem das famílias o que chamam de “modo de vida”, partilham as mais sofisticadas técnicas de passar fome, as últimas novidades em laxantes ou drogas inibidoras de apetite, incentivam on-line o vómito e a celebram os distúrbios alimentares com poemas e imagens de modelos magras.
Alguns dos sites/ blogs são escritos à laia de diário com fotos da magreza extrema alcançada pelas autoras e aplaudida com comentários das visitantes. Também do relato diário constam os tropeções de quem vive a luta de não ultrapassar 500 calorias/dia… Volta e meia, algumas destas páginas pessoais são fechadas, mas nem por isso o fenómeno acaba.
As novas tecnologias servem diversos interesses. Ao lado de massas de pessoas que se batem por objectivos tidos como bons – reacções a catástrofes, preocupações ambientais, melhoria das condições de vida – surgem os fanatismos. Terrorismo, pedofilia, racismo, xenofobia… É o que se quiser.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, apenas 16% da população mundial estava com excesso de peso. Então, como explicar que cerca de 87% das mulheres se sentem com peso a mais?
Ninguém olha para si mesmo sem termo de comparação. E os modelos vão-se buscar ao que é veiculado pela indústria da Moda, pelo Cinema, pelas Artes e pela Comunicação Social. Milhares de jovens procuram fotos de “thininspiration” nas revistas e na net, ícones de um ideal de beleza que nada tem a ver com saúde e qualidade de vida. A pressão para atingir um determinado tipo de corpo pode culminar na patologia de uma mente que distorce a imagem do corpo visto ao espelho - depressão, distúrbios alimentares, auto-destruição.
Anorexia também existe no sexo masculino – foto retirada de um site pró-ana da responsabilidade de um surfista de 19 anos
Os recentes acontecimentos nas passagens de modelos em Madrid e Milão relançaram a polémica. Várias modelos, consideradas demasiado magras, foram impedidas de desfilar. Ameaçadas as suas estrondosas fontes de rendimento, criadores e bookers insurgiram-se contra as medidas tomadas pelas organizações dos certames de moda.
Medidas corajosas e inovadoras mas só por si insuficientes, já que as variáveis Beleza, Saúde, Educação têm de estar em sintonia. Para além de mexer com ideais convencionados, muito há a fazer em termos de promoção de alimentação correcta, vida saudável e condições para mens sana in corpore sano – refeitórios nas escolas, menus escolares saudáveis, formação e incentivo da prática desportiva como parte de uma vida saudável.
Enquanto isso, milhares de pessoas, na grande maioria mulheres ainda adolescentes, vivem numa estranha forma de vida, uma existência em para se ser magro até aos ossos vale tudo!
Escuso-me de indicar sites/blogs de Anas e Mias. A alguns deles “roubei” as fotos. A pesquisa é livre e a informação está a vista de todos. Quem procura arrisca-se a encontrar… Prefiro referir links construtivos, didácticos, informativos.
Sites informativos:
Ana y Mia - La verdad de un mundo peligroso
Don´t die for a diet
Pro-ana - encyclopedia dramatica
Video:
Anorexia Awareness: Scarytale
Uploaded by Razorbuzz
Página pessoal do modelo Emanuel Carvalho
Posts recomendados (ambos do blog Síndrome de Estocolmo):
Como andam os blogs Ana & Mia...
Mais sobre as modelos magérrimas e Indice de Massa Corporal
Notícias:
Demasiado magras para desfilar: Madrid só aceita modelos com ar "saudável". Milão pode fazer o mesmo
Manequim morre durante desfile
Fiona, Nayma e Flor – modelos portuguesas magras demais
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Thursday, September 21, 2006
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Monday, September 11, 2006
Almodóvar voltou.
Voltou com o seu universo de mulheres com fibra, intensas, reais, aparentemente frágeis mas dotadas de uma imensa força interior. São mulheres que choram, riem, gritam, amam, sofrem e assim conduzem a sua vida e a sua família, num universo em que os homens estão presentes de uma forma quase velada, como seres dependentes de uma natureza humana que dificilmente controlam, crianças irresponsáveis que precisam de uma mão forte e segura que os guie.
Volta também a presença da morte como parte da vida, um facto que se funde na existência de um grupo de mulheres de meia-idade.
A história gira à volta de personagens bem construídas, entrelaçadas pelas relações humanas, familiares ou de vizinhança. Cada uma destas mulheres, um mundo por explorar, sobrevive como sabe e como pode.
Subjacentes às voltas do enredo estão os regressos de Pedro Almodóvar, regressos seus cuja intimidade coloca a olho nu num filme belíssimo, maduro e com o seu estilo inconfundível de contador de histórias com imagens, veículos perfeitos de emoções e sentimentos.
O realizador Almodóvar e as actrizes de Volver/Voltar (Reuters)
Raimunda (Penélope Cruz) é a personagem central, uma mulher do povo que a vida tornou um poço de segredos terríveis, uma maturidade forçada pela perda precoce da inocência.
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Monday, September 04, 2006
Gostava de justificar os meus sentimentos, o meu investimento emocional, através de razões objectivas. Gostava que a minha escolha fosse um acto puro de vontade, não apenas uma resposta psicológica a um entusiasmo irreflectido que só leva ao êxtase momentâneo e passageiro.
Gostava de abandonar a ideia de um amor romântico, quente e desmesurado, inevitavelmente efémero, e optar, livre das amarras do coração, por um amor volitivo, pleno de consciência, seguramente construído por dias que passam semanas, por semanas que passam a meses e por meses que passam a anos.
Gostava de reagir contra o imediatismo das sensações, compreender que o cocktail de hormonas e reacções químicas é fruto de um cérebro egoísta que busca estados de felicidade e prazer, opondo-se por defesa inata à dor, ao sofrimento e à tristeza.
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Sunday, August 27, 2006
Tem gente que ama, que vive brigando
E depois que briga acaba voltando
Tem gente que canta porque está amando
Quem não tem amor leva a vida esperando
Uns amam pra frente e nunca se esquecem
Mas são tão pouquinhos que nem aparecem
Tem uns que são fracos, que dão pra beber
Outros fazem samba e adoram sofrer
Tem apaixonado que faz serenata
Tem amor de raça e amor vira-lata
Amor com champagne, amor com cachaça
Amor nos iates, nos bancos de praça
Tem homem que briga pela bem-amada
Tem mulher maluca que atura porrada
Tem quem ama tanto que até enlouquece
Tem quem dê a vida por quem não merece
Amores à vista, amores à prazo
Amor ciumento que só cria caso
Tem gente que jura que não volta mais
Mas jura sabendo que não é capaz
Tem gente que escreve até poesia
E rima saudade com hipocrisia
Tem assunto à bessa pra gente falar
Mas não interessa... O negócio é amar
Letra de Dolores Duran e música de Carlos Lyra
Amor em acto, actos de Amor?
Uma descrição ímpar de todos os amores que conhecemos - os nossos e os dos outros: saudáveis, desejados, românticos, obsessivos, sofredores, sádicos, masoquistas, preversos, egoístas, platónicos, loucos, emotivos..."Mas não interessa o negócio é amar".
Este poema foi encontrado em 1959 após a morte de Dolores Duran, cantora e compositora brasileira, juntamente com um bilhete para Carlos Lyra em que esta lhe pedia para dar música às suas palavras.
Para ouvir aqui a versão de Jo & Tuco ou Nara Leão
Aqui: tudo sobre música popular brasileira
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Wednesday, August 23, 2006
Don’t Date Him, Girl pretende ser um alerta geral às outras mulheres sobre os perigos masculinos que por aí espreitam e funciona também como fórum de partilha de experiências e grupo de apoio.
Entretanto, a Justiça americana vê-se a braços com uma série de processos movidos contra o site com pedidos de indemnização pela divulgação de informações de carácter pessoal sem consentimento prévio. Acredito que também possam existir processos por difamação e ofensa do bom nome contra as autoras das alegadas histórias imputadas aos seus ex.
Fonte: Info Online
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Sunday, August 20, 2006
Diz-me o que compras e dir-te-ei quem és.
Deitar um olho no supermercado às compras dos outros é uma forma de passar tempo na fila da caixa e saber algo mais sobre aqueles com quem nos cruzamos. Mais do que um jogo é Psicologia em exercício.
O que pensar de uma mulher cujo cesto de compras contém uma caixa de preservativos e uma tablete de chocolate?
Ambos são profiláticos. Uma compra dos dois em simultâneo sugere que duas necessidades estão em vias de ser acauteladas: sexo seguro e conforto emocional.
O preservativo é o meio mais seguro de evitar doenças sexualmente transmissíveis e, eventualmente, uma gravidez indesejada, embora em ambos os casos não seja 100% infalível. Aconselham-se outras precauções na vida sexual tais como um análises regulares do HIV, alguma cuidado na escolha de parceiros e o uso de outros métodos contraceptivos.
Já o chocolate é portador de feniletilamina e triptofano (precursor da serotonina), o que o torna no remédio universal para os males de amor.
Logo, estamos diante de uma rapariga ultra prevenida, que encara a sexualidade com maturidade e suficientemente esperta para ter um sucedâneo por perto...
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Wednesday, August 16, 2006
Basta querer Basta sentir Basta ser Basta sorrir…
Pormenor do Basta Café-Jardim - Foto de Joaquim Pinto
Os bairros mais pacatos de Lisboa encheram-se de espaços bonitos, propícios a um serão agradável com amigos ou uma saída a dois. Longe dos conhecidos locais da movida*, a Capital tem vindo a ganhar uma vida própria com pequenos oásis, propostas diferentes e variadas que aproximam as pessoas da cidade.
Um dos meus spots preferidos tem a sua génese envolvida por uma aura de sonho tornado realidade, uma história inspiradora de encontro de culturas e de busca de realização pessoal e profissional. E se há coisa que eu gosto é de uma boa história, por isso, aqui vai ela: uma argentina e um sérvio conhecem-se em Lisboa; desse encontro resulta a viragem profissional na vida de ambos assente numa partilha de interesses em comum que leva à concretização de um projecto de fusão de culturas e sabores.
Com uma paixão pela cozinha criativa e em constante evolução, Josefina Cardeza e Milos Ivkovic são a dupla que comanda uma aventura de sentidos chamada Basta Café-Jardim, um espaço composto por um jardim transformado em esplanada, uma sala grande com um pequeno privado (excelente para um jantar de grupo), um pequeno bar e uma sala de exposições. O jardim funciona todo o ano, ainda que no Inverno conte com aquecedores, informação vital para os apreciadores do ar livre.
Pormenor do jardim do Basta Café-Jardim, onde se pode ver a calçada portuguesa e as árvores de copa alta no interior do nº 175 da Av. D. Estefânia, em Lisboa - Foto de Joaquim Pinto
A decoração mistura o revivalismo dos anos 70 com a
Arte Novanum retro confortável, uma amálgama de estilos que junta o sofisticado ao acolhedor. É o sítio ideal para passar um bom bocado na companhia de um livro ou jornal, de acompanhar um chá ou um café (para não falar num cappucino) com uma boa conversa, petiscar entre refeições ou viajar à mesa com a degustação de uma ementa toda ela apetecível.
A música, complemento indispensável a qualquer ambiente, é um fundo sonoro em perfeita consonância com o paladar, ou seja, moderna, actual, imaginativa, de bom gosto.
O nome do Café-Jardim é uma inteligente combinação de sentidos linguísticos: Basta quer dizer “jardim” em Sérvio e significa "põr fim" ou "suficiente" em Português, uma palavra que pode ter o sentido dinânimo de cessar algo para, no mesmo momento, começar outra etapa, ter outra atitude.
*Bairro Alto, Docas e 24 de Julho
Ao N., que tenho o privilégio de conhecer há 21 anos e que sabe como ninguém mostrar-me o lado bom da vida. Obrigada!
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Monday, August 14, 2006
Are you trying to seduce me? Silly question, of course you are.
Ponte 25 de Abril à noite de Ivo Gomes
Lisboa é uma cidade sedutora, envolvente, sensual.
Arrufos, amuos e agastamentos, quem não os tem. Comigo acontecem porque Lisboa não me é indiferente, mas depressa cessam as hostilidades e elevam-se as alegrias que me dá a Cidade que eu adoro e impõe-se um rol extenso de momentos bons da minha história pessoal. Já as agruras e mágoas, essas são aligeiradas pelas voltas intermináveis que dou pela Cidade, a pé ou de carro, até me sentir mais leve, mais objectiva nas apreciações, mais certa de que há sempre uma solução para tudo.
Acabei por trocar a Praia pela Cidade. Um dia atrás do outro com a partida a ser adiada, fui ficando, primeiro presa a desculpas, depois de vontade livre e esclarecida. Lisboa está com boa onda, rica em ambientes com espírito próprio, definido e variado.
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Friday, July 28, 2006
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Thursday, July 27, 2006
Uma questão de atitude
"In my heart, I think a woman has two choices: either she's a feminist or a masochist." - Gloria Steinem
Falsa emancipação da Mulher? Não. Acho que estamos a meio caminho. Mais, a minha postura optimista leva-me a acreditar que se vai avançando, lentamente, nesta alforria, nesta luta que tem por objectivo a mudança de mentalidades não a supremacia do sexo feminino. Um dia de cada vez, milhares de mulheres em todo o mundo fazem o seu próprio caminho, estudam, trabalham, são mães, são mulheres.
Os obstáculos, as contrariedades, os atropelos existem, muitos deles vindos de onde menos se poderia esperar, ou seja, das próprias mulheres. Custa-me sempre ouvir comentários machistas e misóginos, tal como expressões racistas, xenófobas e de algum modo discriminatórias. No entanto, o que mais dói, o que mais me tira do sério, são as críticas destrutivas vindas de mulheres que se regem por preconceitos masculinos, mulheres que se subestimam, mulheres que cobardemente criticam as mulheres que têm a coragem de serem elas próprias.
Uma mulher é constantemente posta à prova durante a sua vida, sendo os exemplos disso mais que muitos. Mas uma mulher só passa a vítima se ela própria se martirizar.
A profissão e a maternidade
As mulheres que tiveram a possiblidade de optar entre uma profissão ou serem mães a tempo inteiro, as mulheres que se dividem por opção ou condição entre a maternidade e a carreira, vivem invariavelmente com um sentimento de culpa por terem feito uma escolha ou vivem com o complexo de tentarem exercer irrepreensivelmente as duas, numa tentativa supra-humana de serem boas mães e boas profissionais. Acredito que, com ajuda, podem consegui-lo, mas é uma questão que não se coloca aos homens. Aliás, um homem que queira ser pai a tempo inteiro ainda é uma raridade e qualificado como um ser fraco e dependente da mulher.
A profissão e as tarefas domésticas
Uma mulher que contribui para a economia familiar com o seu ordenado deveria esperar do seu companheiro uma contribuição equitativa no trabalho doméstico. Afinal, quando chegam a casa, ambos estão cansados e ambos têm responsabilidades na gestão do lar. Contudo, é sobre a mulher que recai a obrigação de ter a casa limpa, arrumada, o jantar na mesa, a roupa passada… A “ajuda” do homem costuma ser insuficiente, porque “ajudar” não é o mesmo que “repartir”, “partilhar”.
A imagem da mulher
Há mulheres que se queixam porque são tratadas como objectos sexuais, mas elas são as primeiras culpadas porque se reduzem a bocados de carne, corpos ambulantes, mais pelas atitudes do que pelo guarda-roupa.
E podia continuar, mas prefiro terminar como comecei, citando Gloria Steinem: "O primeiro problema para todos, homens e mulheres, não é aprender, mas desaprender".
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Monday, July 24, 2006
Agosto. Um dia dos mais quentes. Mesmo ao fim da tarde, não corria sequer uma brisa. Ainda em férias, deu-me para escolher o caminho mais longo, dar uma volta pela cidade, corrê-la de uma ponta à outra à moda de turista acidental. É o que faço sempre que posso.
Depois de subir o Largo do Martim Moniz, dou comigo na Av. Almirante Reis, em direcção à rebaptizada Praça Francisco Sá Carneiro, aquela que a memória insiste em chamar de Areeiro.
Parei num dos primeiros sinais vermelhos de uma extensão de 2,5 Kms da velha avenida lisboeta. Incongruência estar de portas trancadas e com os vidros do carro totalmente abertos, mas o calor insuportável superava a necessidade de segurança.
Ao meu lado, uma carrinha branca, também de janelas abertas e um homem novo ao volante.
De olhos postos no semáforo, oiço com um sotaque brasileiro:
- Ó moça! Você pode me dar uma informação?
- Sim, claro – respondi com naturalidade.
- Como é que faz prá chegar no seu coração?
Silêncio do meu lado. Os segundos seguintes à pergunta pareceram-me minutos. Reacção única possível, desmanchar-me a rir e dizer:
- Teve piada, teve teve!
- Não é piada não, moça. É sério!
Abre o verde e arranco com um suspiro de alívio. Ele há cada um! E brasileiro é fogo, está visto!
Não tardou muito, a parar novamente num sinal vermelho. E a carrinha branca, sempre ao meu lado. O homem não desarmou:
- Me dá seu telemóvel, dá?
- Não – o mais redondo que fui capaz.
- Ué, seu coração tem dono?
- Não, está fechado para obras – frase feita de quem quer simplesmente dizer “não tou a fim”.
- Oba, mas eu trabalho com obra! Me deixa consertar, deixa!
Risos da minha parte, mais uma vez. Cara insistente! Engraçado, esforçado, mas não caiu em graça.
Para dizer a verdade, não me lembro do rosto do brasileiro. Agora a conversa, acho que nunca mais a vou esquecer! Já lá vão 3 anos...
* Palavra brasileira que significa galanteio, piropo
Agumas dicas sobre como NÃO cantar uma mulher - Se bem que quando uma mulher não está interessada, não há dica que resulte!
Fotos da Av. Almirante Reis em Lisboa gentilmente cedidas por Milan Perveze :)
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Saturday, July 22, 2006
Una vacanza da sogno, il paradiso del dolce far niente. Uma ilha paradisíaca, um areal sem fim, deserto, adornado por águas azuis, transparentes, apetecíveis. Eis a imagem que formamos na nossa mente quando pensamos em férias. E logo nos ocorre não fazer absolutamente nada, nós que passamos a vida a correr a tentar fazer isto, aquilo e o outro. Dolce far niente, ma quando?
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Thursday, July 20, 2006
Já que, aqui no Paraíso, andamos numa onda de aves raras, aqui vão umas dicas sobre o Mocho mais lindo do mundo e redondezas:
- Tem por hábito esquecer-se dos aniversários dos amigos (eu que o diga e a Ouricette também);
- Odeia queijo;
- É amigo do seu amigo, sempre pronto a ajudar no que pode e como pode (mesmo quando fica incomunicável – toma lá e embrulha!);
- É sábio; diz sempre as verdades mesmo quando são duras de ouvir – “Tem juízo, pá!”;
- É um refinado gourmet, excelente na arte de bem receber;
- Tem um humor apurado e sempre na mouche;
- É competente, coisa rara neste País (comprovado por experiência própria);
- Não dispensa um bom Earl Grey (nada de imitações baratas, faxavor), de preferência numa mug finérrima, térmica e em London City;
- Não é uma espécie cinegética, mas sim a proteger e a mimar.
Hoje é o dia do Mocho. Que conte muitos e bons dias, meses, anos...
*Latim; 1. “Ave rara.” 2. “referência a tudo que é estranho ou inusitado, que só se vê ou aparece raramente.”
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Sunday, July 16, 2006
Sex & The City, Season 2, ep. 15: Are all men freaks? Carrie dates a bunch of freaks before she meets Ben, then ruins a great thing when she turns into a freak
Vagueei pelas ruas do Bairro Alto a abarrotar de gente encalorada. Parei aqui e ali mirando os galãs da noite invariavelmente vestidos com t-shirt ou camisa preta – fariam parte de uma seita? Será o novo uniforme de D. Juan? Mistério… O certo é que todos eles estavam vestidos de preto e isso confundia as minhas amigas com os comentários, pois “aquele de t-shirt preta” não era assim tão fácil de identificar dentre os milhentos que por lá constavam.
O ponto alto da noite deu-se quando mudei de discoteca. Eram 4.30h mas havia pedalada para ir até às 6h, quiçá até às 8h. Não tardou muito a que o meu olhar esbarrasse num desconhecido que vira antes noutro bar. Pensei logo: “Qual a probabilidade de encontrar um estranho duas vezes na mesma noite?” Fiquei na expectativa de um sinal de romantismo patético, mas que gosto tanto. Mesmo que Lisboa seja quase uma aldeia, a escolha de estabelecimentos nocturnos é grande e variada.
Bom, a conversa começou a fluir, envergonhada, pouco segura, seguindo o seu curso no meio da confusão da pista. Os meus amigos iam controlando discretamente, não fosse um olhar de socorro justificar uma intervenção. O rapaz lá ia falando. Matemático, há 20 anos em Lisboa, nascido no campo, entre outras informações de carácter geral, disse ter uma horta no meio da cidade. Um constant gardener, presumi, rústico e diferente. Chamaram-me à atenção os olhos de louco que brilhavam no escuro e senti algo estranho, não gostei, o meu instinto entrou em alerta máximo. Ainda assim, a conversa continuou. Porém, eis que o espécime me diz não usar nada químico (realmente sucediam-se os cigarros enrolados) e nisto tira um ramo de salsa do bolso da camisa e mostra-me o seu “perfume”.
E o que faz uma rapariga quando lhe estendem um ramo de salsa usado como perfume? Possivelmente, numa fracção de segundo ocorre-lhe que num outro bolso poderá estar um dente de alho por causa do hálito ou coisa que o valha e foge!
O corte foi inevitável. O impacto da situação foi demasiadamente negativo. Longe de criticar alguém pela sua diferença, devo ter sido a única a não reparar nas botas ensebadas do moço, cujo sebo, pelo andar da coisa, também deve ser de fabrico próprio e caseiro. Ugh!
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Sunday, July 09, 2006
Há que contar com os factores externos e discernir quais os que podem contribuir para a harmonia e para o entendimento e quais os que dificultam a percepção das coisas e conduzem a uma visão reduzida e parcial.
Amigos, família, trabalho, interesses comuns, pontos de divergência, hábitos, hobbies, tudo o que seja susceptível de que interferir numa vida a dois tem de ser valorado com consciência e a máxima objectividade.
De longe e ao mesmo tempo tão perto, andava a acompanhar pelos media as dificuldades do relacionamento de Hilary Swank e Chad Lowe, como se de amigos se tratassem, torcendo para que os obstáculos fossem superados, mas o casal, após vários meses optou pela separação em definitivo depois de tentativas goradas de reconciliação.
Como se não bastassem os problemas característicos dos comuns mortais, este par teve de lidar com exposição constante, com o sonho holywoodesco de casal perfeito e o voiyerismo público em que também me incluo, consequências inevitáveis de uma indústria poderosa e de um estatuto de estrelas alcançado
Do "velho cliché de amor à primeira vista" nasceu uma relação relativamente estável (1992-2006) que culminou num corte amigável, tanto quanto possível.
2004- Foto Vanity Fair
Foram atribuídas as tensões no casamento ao crescente sucesso de Hilary que conflituaria com a tímida e apagada carreira do marido. Não se duvida que os diferentes percursos profissionais tenham contribuído para destabilizar o casal, mas a causa apontada como razão principal da separação foi à dependência de Chad de uma substância intencionalmente não identificada.
“I knew something was happening but I didn’t know what,” - Vanity Fair magazine."
“When I found out, it was such a shock because I never thought he’d keep something from me. And yet, on another level, it was a confirmation of something I was feeling that was keeping us from being completely solid.”
“I don’t want to make it seem like that’s the sole reason; there were other factors. But that just kind of blew it open. It made me look at things a lot deeper. That’s when you realize it’s not going to work.” - New York Post
77 th Annual Academy Awards - Governors Ball, 2005
Notáveis estas afirmações de Hilary:
"It takes two to make something work or not work. I'm a person with my own faults and troubles," Swank now says. "In the end, it just didn't work, but I would never look back on this relationship as failed. I look at it as 13 and a half years of success."
Afinal, o fim também é o começo de algo. Atrás de um sucesso, venha outro!
À T. , ao N., ao L., à M., que vivem ou viveram momentos de viragem nas suas vidas, de fecho de um ciclo e começo de outro. Aos que atravessam o deserto em busca de um oásis, porque as travessias também fazem parte da aprendizagem.
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Eva Shanti
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