Uncertain emotions force an uncertain smile…
Ou
Tudo sobre o sorriso - Parte I
Emoções incertas levam a sorrisos incertos… E desta forma entramos no vasto universo da comunicação não-verbal, de toda uma linguagem expressa num conjunto de sinais, mais ou menos involuntários, portadores de mensagens sobre o estado emocional do nosso interlocutor, reveladores do seu carácter e da sua personalidade.
Sem esquecer a importância da postura corporal, dos movimentos e gestos que a pessoa tem no seu todo, uma atenção especial é devida ao rosto, à expressão facial, a uma amálgama infindável de manifestações que a boca e os olhos, em diferentes combinações de olhares e sorrisos, podem comunicar de forma tão intensa que, automaticamente, descodificamos, sem necessidade de palavras.

Quantas vezes, uns mais versados que outros nesta «leitura» do outro, desvendamos contradições e, de modo rápido e intuitivo, nos apercebemos da falsidade, de que outra intenção se esconde atrás de frases agradáveis, feitas para impressionar neste ou naquele sentido.
É evidente que, tal como em tudo, há mestres na arte do engano, no jogo da sedução do marketing pessoal se quiserem, usando uma expressão mais suave do que publicidade que pode ser, ou não, enganosa, mas que não deixa de ser publicidade.
Técnica cada vez mais aprimorada de realçar o que é positivo no produto que se tem para vender, mais do que um alerta e uma tentativa de focar única e exclusivamente as forças e os pontos fortes, a publicidade consegue fazer do bom, melhor!
Se todos nós, melhor ou pior, nos sabemos valer das nossas características mais positivas para cativar os outros, é incontornável o facto de que há pessoas que intuímos demasiado perfeitas, pouco espontâneas, em que a mais pequena reacção supomos aprendida e não inata, como se toda a sua postura e existência de baseasse num papel que representam dia-a-dia.

Anatomia do sorriso Havendo várias classificações dos tipos de sorrisos, achei por bem, citar o mais conceituado cientista português na área da expressão facial – Armindo Freitas-Magalhães, phD.
Estudioso desta temática há 18 anos, psicólogo de formação, é director do Laboratório de Expressão Facial da Emoção (FeeLab). Participou na 11ª Conferência Europeia Da Expressão Facial, realizada em Setembro de 2005, em Inglaterra, sendo o único português. A próxima edição da Conferência, para a qual já foi convidado realizar-se-á em Abril deste ano em Genebra (Suíça).
Freitas-Magalhães estuda as funções e repercussões do sorriso no desenvolvimento das emoções e das relações interpessoais. Tem trabalhos publicados sobre o efeito do sorriso na percepção psicológica da afectividade e nas diferenças de género, idade, da cor da pele e de gémeos, bem como o reconhecimento das emoções básicas através da expressão facial em diferentes grupos etários e em delinquentes. Um outro estudo que considero bastante curioso denominado "A Expressividade do Sorriso - Estudo de caso em jornais portugueses, que analisou concluiu que os portugueses aparecem cada vez menos a sorrir nas fotografias dos jornais diários... Porque será?
O sorriso foi, pois, classificado em quatro tipos:
Sorriso largo
Lábios separados, elevação das comissuras labiais, exibição das fileiras dentárias, o conjunto do rosto apresenta alterações fisiológicas significativas e verifica-se movimento dos músculos
Sorriso superior
Lábios separados, elevação das comissuras labiais, exibição das fileira dentária superior, o conjunto do rosto apresenta alterações fisiológicas significativas e o movimento dos músculos ocorre com menor intensidade
Sorriso fechado
Lábios juntos, elevação das comissuras labiais, sem exibição das fileiras dentárias, o conjunto do rosto não apresenta alterações fisiológicas significativas e o movimento dos músculos é reduzido
Face neutra ou sem sorriso
Lábios juntos, sem elevação das comissuras labiais, sem exibição das fileiras dentárias, conjunto do rosto não apresenta alterações fisiológicas e não há movimento dos músculos
O sorriso largo é o mais expressivo, o sorriso superior e o sorriso fechado estarão num plano intermédio, sendo a face neutra o extremo em que não há sorriso nem qualquer movimento facial.
O sorrir permite, assim, transmitir emoções positivas e facilitar o contacto social.
Mais, está provado pela psicologia e pela etologia (ciência descritiva dos costumes e das tradições dos animais no seu ambiente natural) que o sorriso não é biologicamente supérfluo, antes uma importante ferramenta de sobrevivência, quer nos primeiros tempos de vida, quer na relacionamento com o mundo e com os outros - aceitação em grupos, estabelecimento de relações pessoais, sociais, profissionais, etc.
Fotos: todas de Kevin Thom em www.kevinthom.com
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