
Sobrevivi!

Manta de retalhos de escrita light e despreocupada sobre homens e mulheres, sexo e sociedade.




Queer Eye For The Straight Guy: Ted Allen (Gastronomia), Kyan Douglas (Aparência), Thom Filicia (Decoração), Carson Kressley (Moda) e Jai Rodriguez (Cultura).
Foto 1: anúncio CK Obsession

No que respeita ao olfacto, aí sim, tenho de me deter em pormenores, não tanto relativamente ao sentido propriamente dito, mas a algo mais sensível que temos junto ao orgão olfactivo, também chamado de 6º sentido.
Ainda que os perfumes e os cheiros tenham o seu papel no âmbito do processo de sedução e atracção sexual, estudos feitos em animais demonstram a actuação das feromonas como sinais químicos que permitem a comunicação à distância entre membros da mesma espécie. É o caso da complexa organização social das abelhas ou nas formigas, toda baseada na comunicação química. Muitas espécies, incluindo o ser humano, têm, nas fossas nasais, o minúsculo órgão vomeronasal (OVM), também chamado de «nariz sexual».
David Moran e Luis Monti-Bloch são os senhores mais entendidos nesta matéria do OVM.
Contudo, não podemos confundir as feromonas com os odores. Embora presentes no suor, as feromonas são sinais químicos inodoros que actuam a um nível inconsciente. Existem, fazem das suas e nós não damos por nada. Quer dizer, temos consciência no momento posterior ao RGSSS, Já tá! (onde é que eu já vi isto?)
Biólogos, sexólogos e psicólogos não negam a existência de um processo físico (e químico) da atracção sexual, mas desvalorizam-no. Os mecanismos da inteligência desenvolvida pelo homem prevalecem sobre os estímulos criados para a perpetuação da espécie que, assim, podem racionalmente ser afastados.
Esta é uma tentativa com base na ciência de racionalizar o processo de atracção sexual (paixão) e de dar uma definição de Amor - algo que, supostamente, assenta no primeiro impulso que se sente pelos outros, que depois cresce e se desenvolve. Até porque as feromonas têm uma duração limitada e se há histórias de uniões duradouras e felizes, a resposta terá de estar muito para além do que é físico e passageiro.
Mas isso não resolve o meu problema (se calhar também vosso): será que amo ou apenas gosto da maneira como o outro me faz sentir, e fico «viciada» em mimos, nessa felicidade estrondosa que conseguem pequenos gestos de carinho e ternura? É aquele sorriso que faz milagres, aquele sms que veio mesmo a calhar, aquela flor arrancada às escondidas do jardim da vizinha, aquele beijo longo, demorado…
É que há uma outra teoria que entende o Amor como um droga, por causa da dopamina estimulante natural ligado a todo o tipo de adicções. O álcool, a nicotina, a morfina – todas estas substâncias aumentam os níveis de dopamina. Ora, todas as adicções têm o reverso da medalha, ou seja, fase da tolerância, ressaca e recaída…. Mas hoje ficamos por aqui.

Fotos: 1 *Kazze* e 2 bellylou em www.flickr.com, 3 encontrada em (des)afinado




